Você certamente já ouviu dizer que a união faz a força, não é mesmo? Deve ter ouvido, também, histórias de superação que só foram possíveis graças ao trabalho conjunto de pessoas com um ideal em comum. Sabe o que é isso? Cooperação.

Se voltarmos no tempo para olharmos atentos aos marcos históricos da humanidade, veremos que os grandes avanços só ocorreram porque cooperamos uns com outros… na época das cavernas, por exemplo, caçar era uma atividade do grupo dos homens e, cuidar das crias, uma atividade de todas as mulheres da tribo. Tudo era feito de forma coletiva para que os resultados fossem igualmente compartilhados. A necessidade nos uniu!

E quando a gente avança um pouco mais nessa nossa viagem, estaremos diante de grandes conquistas. Em 1543, Nicolau Copérnico e sua equipe se recusaram a acreditar na teoria de que a Terra era o centro do nosso sistema solar, até provarem que, na verdade, os planetas é que giravam em torno do astro rei. E nos dias atuais, nas escolas e nos laboratórios, de forma coletiva, estudamos e testamos essa descoberta.

Nossa jornada pela história, especialmente quando falamos do que foi feito coletivamente, não poderia terminar sem refletirmos sobre as grandes descobertas da medicina moderna como a anestesia (em 1799), a insulina (em 1889) e a Penicilina (em 1928), resultado da cooperação entre profissionais e voluntários. Como vimos até aqui, cooperar nos ajuda a viver mais e melhor, ampliando a expectativa de vida em todas as partes do globo.

E por falar em globo, o que seria do comércio em escala global sem a agilidade da Internet, inventada em 1969 por uma equipe liderada pelo cientista britânico Thimothy Berners-Lee? As crianças de hoje em dia nem conseguem imaginar como era viver num mundo sem posts, likes e shares. Cooperando uns com os outros transformamos o nosso presente e já vivemos no futuro.

Carros elétricos já não são mais novidade nos grandes centros urbanos; cirurgias realizadas por robôs operados por médicos há milhares de quilômetros de distância também começam a virar rotina nos hospitais.

 

NOVO CONSUMIDOR

O futuro é hoje e, mais do que nunca, é cooperativo. Sabe o porquê? Porque cada vez mais, as pessoas querem escolher produtos e serviços que impactem menos o meio ambiente e que também evidenciem a dignidade humana. É uma geração inteira comprometida em transformar – cada vez mais – a relação de consumo, por meio de escolhas responsáveis, que assegurem a preservação dos recursos naturais e uma remuneração justa para quem trabalha. Só assim poderemos viver num lugar mais justo, feliz, equilibrado e com melhores oportunidades para todos.

E essa preocupação – global, até – com a forma de se consumir só mostra que a cooperação é o melhor caminho. Mundo afora, o número de envolvidos com esse processo de transformação só cresce. Segundo dados da Aliança Cooperativa Internacional, cerca de 1,2 bilhão de pessoas estão vinculadas a pelo menos uma das três milhões de cooperativas do planeta. Aqui no Brasil, os números da Organização das Cooperativas Brasileiras – representante do cooperativismo nacional junto aos Três Poderes da República – também nos enchem de esperança.

Recentemente a instituição divulgou o Anuário do Cooperativismo Brasileiro e, de acordo com o documento, as 6.828 cooperativas do país reúnem 14,6 milhões de cooperados e, ainda, 425,3 mil empregados. Se somarmos o número de pessoas diretamente envolvidas com o cooperativismo e multiplicarmos essa informação pela média de integrantes de uma família brasileira, podemos dizer que, pelo menos, 25% da população são cooperativistas.

E porque o cooperativismo é uma ferramenta tão extraordinária para cooperar? Simples! Esse modelo econômico é baseado em princípios universais que estimulam a transparência, a gestão democrática, a preocupação com o desenvolvimento profissional de seus integrantes, o compromisso com as comunidades e com a redução dos impactos ambientais e, sobretudo, o fazer junto, o trabalho colaborativo, o velho e bom ‘um por todos e todos por um’.

Essas linhas mestras atendem com perfeita sintonia aos anseios da sociedade moderna atual, que valoriza o equilíbrio entre o econômico e o social, entre a produtividade e sustentabilidade. E os exemplos de como isso corre na prática são inúmeros. A própria Organização das Nações Unidas já reconheceu publicamente a contribuição das cooperativas aqui do Brasil com o alcance das metas dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Ah, e vale lembrar que esses ODS têm apenas um objetivo: erradicar a pobreza extrema no mundo até 2030.

 

NA PRÁTICA

E quando o assunto é transformar esse mundão num lugar melhor, um exemplo de sucesso é, sem dúvida, o Sicredi, uma cooperativa de crédito, que mostrou como é possível incluir bancária e financeiramente uma população inteira e, ainda, promover a educação financeira baseada na confiança e na cooperação.

Em Cafeara, no interior do Paraná, uma agência do Sicredi se inspirou no conceito cashless cities (cidades sem dinheiro, em tradução livre), aplicado em cidades da China e da Índia. Isso mesmo! Um banco que trabalha sem dinheiro em espécie, mas que oferece os serviços bancários para o pequeno município, de apenas 2,5 mil habitantes.

O Sicredi apostou em um modelo de agência que tem todos os produtos e serviços da cooperativa de crédito, mas que não movimenta nem um centavo em espécie no local. Na agência os clientes podem abrir a conta corrente, contratar crédito, consórcios, seguros, cartão de crédito e depositar cheques.

Já os pagamentos e transferências, por exemplo, são feitos pelos clientes, nos próprios aparelhos de celular, usando um aplicativo da cooperativa que, inclusive, oferece sinal de wi-fi dentro da agência e, também, na praça onde ela está instalada, numa área cedida pela igreja da cidade que aprendeu que cooperar vale a pena.

E você, já se perguntou pelo que coopera? Como suas ações podem contribuir com a transformação do mundo? Se ainda tiver dúvidas, lembre-se: atitudes simples são muito mais eficazes do que se imagina e, para mudar o mundo, basta dar o primeiro passo… e as melhores jornadas são aquelas feitas com alguém do nosso lado, então, pé na estrada!