Do Brasil para o mundo

Representação internacional é importante para ampliar a voz das cooperativas brasileiras no exterior e nas organizações que decidem as políticas do nosso movimento

Farol Conteúdo
13/07/2020

Fazer a diferença onde a gente está. Essa máxima do cooperativismo é ainda mais tangível dada a capilaridade da nossa força de trabalho. Em um mundo globalizado como o nosso, também é importante fazer a diferença em nível global e regional. E é por isso que, desde 1988, a OCB faz parte da Aliança Cooperativa Internacional (ACI) 

Foi a partir daí que o cooperativismo brasileiro passou a acompanhar eventos internacionais, trocar experiências e participar da definição de diretrizes do cooperativismo mundo afora. 

Representante das cooperativas de trabalho e produção de bens e serviços na ACI Américas – braço regional da ACI –, Margaret Cunha afirma que a presença em organismos internacionais é essencial para o crescimento do cooperativismo Brasil afora: 

É fundamental para nós. O país, dadas as dimensões continentais, tem um peso muito grande economicamente e politicamente. Estar dentro desse contexto [de organismos internacionais] é fazer parte de decisões importantes que se apresentam no mundo inteiro”, defende.

Para ela, essa representação internacional é importante para que o Sistema OCB marque posições dentro de um organismo e um contexto mundial onde se decidem as normas políticas e institucionais.

“Quanto mais nos unirmos e olharmos para dentro de nós, mais estaremos nos fortalecendo. No Brasil, nós temos a OCB, que coordena todos os estados, as cooperativas, centrais, confederações e federações. É um sistema. E ele tem de estar sempre bem posicionado para que a gente possa fazer parte das decisões. Para conseguir levar os nossos anseios e necessidades mostrar para o mercado o quanto o cooperativismo é importante e fundamental”, destaca.

Segundo ela, há diversos encontros internacionais, videoconferências e canais na internet onde representantes do cooperativismo se comunicam constantemente e observam o movimento cooperativo em cada país. É o momento de analisar cenários, ver o que outros países estão fazendo e tentar aprimorar o que é feito internamente.

O último encontro presencial, realizado na Costa Rica, no fim de 2019, discutiu temas como economia, câmbio, sustentabilidade das cooperativas e intercooperação.

O Brasil participa ainda do conselho da organização. Desde 2018, o país é um dos 15 integrantes do conselho de administração da ACI que se reúne em Bruxelas, na Bélgica. O conselheiro brasileiro é o presidente do Sistema OCB em Mato Grosso, Onofre Cezário Filho.

PIONEIRISMO VERDE-AMARELO

Dentro da ACI, o Brasil é referência em termos de normas e legislação na área de cooperativas de trabalho. E, por isso, vários países procuram saber quais passos foram dados aqui para conseguirem fortalecer e fazer leis semelhantes, se adequando às especificidades de cada nação.

A partir da aprovação da Lei 12.690/2012, que impôs regras específicas para o setor, Margaret — que também é associada da Cooperativa de trabalho, produção e comercialização dos trabalhadores das vilas de Porto Alegre (Cootravipa) —avalia que houve uma mudança de mentalidade sobre essas cooperativas.

Houve um reconhecimento e uma mudança de comportamento em relação às cooperativas de trabalho. Elas foram estigmatizadas por muitos anos, mas não era um retrato verdadeiro do que acontecia em todo o mundo cooperativo”, argumenta. 

A nova lei liberou a participação de cooperativas de trabalho em licitações públicas – um ganho enorme para o cooperativismo que pôde mostrar a importância de sua força de trabalho.

Segundo ela, foram mais de oito anos de intenso trabalho junto ao Congresso Nacional para que a lei que assegura direitos e deveres perante o associado fosse aprovada.

A norma traz o mínimo que a cooperativa deve dar de benefícios aos seus associados. Em parte, esse regulamento se assemelha ao que as empresas em geral fazem, mas também traz diferenciais como um seguro específico que garante ao trabalhador que adoeça uma diária a ser recebida mensalmente para ficar em casa e cuidar da saúde.

“Esse movimento, feito e liderado pelo Brasil, mudou a visão frente as cooperativas. Muitas tiveram de se adequar já que a lei veio para regrar posicionamentos”, relembra.

CRESCER EM TEMPOS DE CRISE

Na avaliação de Margaret, a participação em fóruns internacionais também serve para mostrar ao mundo que o cooperativismo é organizado e que cresce, cada vez mais, em tempos de crise.

Quando iniciou todo o movimento dessa crise de coronavírus, eu disse: aí vão estar as cooperativas fazendo a diferença. Na parte médica, na parte de transporte, de limpeza, na parte de cuidar dos doentes e de fazer as prevenções”, analisa.  

Ainda segundo ela, o cooperativismo está levando energia e internet a moradores da cidade e do campo.  “As pessoas estão ficando em casa, muitos vão ser demitidos e muitos vão precisar de apoio, de capital de giro, de financiamentos, renegociação de dívidas. Tudo isso o cooperativismo pode ajudar. O cooperativismo faz parte dessa sociedade”, enumerou Margaret.


Esta matéria foi escrita por Lilian Beraldo e está publicada na Edição 29 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação 


 

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