Quantidade Com Qualidade

Um dos segredos do crescimento das cooperativas de crédito é investir no colaborador

Farol Conteúdo
08/10/2020

Além de gerar novos postos de trabalho, as cooperativas financeiras mantêm a preocupação constante de aperfeiçoar seu quadro de pessoal. Em 27 anos atuando no setor, o diretor executivo do Sicredi União (PR/SP), Rogério Machado, perdeu as contas de quantos cursos fez com o apoio do sistema cooperativista. Só pós-graduações, foram três — a mais recente, um MBA Executivo na Fundação Dom Cabral, na qual ele atualmente é mestrando em Gestão Empresarial. As visitas para conhecer boas práticas de cooperativas nos Estados Unidos, na Inglaterra e em Singapura também foram muitas.

Minha evolução enquanto profissional se confunde muito com o próprio desenvolvimento do Sicredi e a necessidade de busca por novos conhecimentos e metodologias que pudesse aplicar aqui. Sempre tive aqui muito apoio, tanto de me darem força e incentivo quanto financeiro”, conta.

O acesso aos estudos fomentados pela cooperativa foram, além de uma ferramenta profissional, uma conquista pessoal. Rogério, que veio de família humilde, começou a trabalhar como auxiliar de oficina mecânica aos 14 anos e sempre quis crescer por meio dos estudos, pois essa era a orientação dos seus pais. “Eles diziam que a gente precisava buscar crescer, enquanto pessoa, por meio dos estudos”, conta.

Hoje, homem feito, tenta cultivar no Sicredi União a cultura de aperfeiçoamento que um dia lhe foi passada. Atualmente, a cooperativa tem um curso de MBA somente para os colaboradores, chamado Academia Cooperativa. A primeira turma forma-se em outubro deste ano. E há também uma Escola de Talentos, que funciona com pequenos módulos de formação ao longo de 12 meses, e todos os funcionários participam.

Além disso, Rogério destaca que, antes de colocarem a mão na massa, todos os novos funcionários passam quinze dias de trabalho em um projeto de integração:

Eles têm esse tempo para conhecer a cultura cooperativa e enxergarem que, no cooperativismo, as pessoas são valorizadas pelo que são, e não pelo que têm. Isso ressignifica a forma como se veem como profissionais. Por isso, nossos profissionais atuam com paixão e engajamento em tudo o que fazem”.

Na avaliação do executivo, essa é uma forma de manter coesão na cooperativa — que tem 1.300 funcionários (300 contratados somente em 2019 para 25 novas agências) e é uma das quatro maiores do Brasil. “Construímos isso com respeito aos colaboradores, humildade nas nossas ações e coerência naquilo no que somos. Passamos para o time nosso posicionamento no mercado, de maneira clara. Aqui, buscamos não só o desenvolvimento técnico das pessoas, mas o interpessoal”

 


Esta matéria foi escrita por Naiara Leão e está publicada na Edição 27 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação