Agro 4.0

Descubra como as novas tecnologias e o cooperativismo estão ajudando a consolidar o protagonismo do Brasil na produção mundial de alimentos

Farol Conteúdo
11/01/2021

A vida no campo já não é a mesma. Uma revolução silenciosa tem transformado o modo de produzir alimentos e outros produtos no Brasil. Ciência de dados, inteligência artificial, sistemas robotizados, satélites, tratores inteligentes, tudo isso da porteira para dentro da propriedade rural.  E tudo isso com impacto para muito além das fronteiras da fazenda. É o chamado Agro 4.0 — caracterizado pelo uso intensivo de novas tecnologias pelos pequenos, médios e grandes produtores rurais.  

No Brasil de 2020, 84% dos produtores rurais usam pelo menos um tipo de tecnologia no campo, segundo pesquisa realizada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em 556 municípios.

O estudo também revela algumas das motivações dos produtores para o uso das tecnologias. A obtenção de informações para o planejamento das atividades de produção é o principal objetivo de 65% dos produtores entrevistados. Em seguida, estão a gestão da propriedade rural (43% dos agricultores), compra e venda de insumos (40%) e previsão de riscos climáticos, como geadas, granizo, veranico e chuvas intensas (30%).

Desde a preparação do solo até a colheita, tem vários elementos que reduzem o potencial de crescimento das plantas, falta de nutrientes, pragas, enfermidades, falta de água. E a informação pode favorecer o seu crescimento. É aí que a agricultura de precisão – ou Agro 4.0 – vai ajudar o produtor a colocar a semente no local certo”, explica Ricardo Inamasu, pesquisador da Embrapa Instrumentação.

A principal característica da agricultura de precisão é a utilização de sistemas sustentáveis de produção e coleta de informações relacionadas às características detalhadas do solo, clima e culturas de uma propriedade. Assim, o produtor rural pode ser preciso no planejamento do plantio, da irrigação, da colheita, do armazenamento e da distribuição.

“Ao utilizar os insumos de forma precisa, o produtor rural também economiza e pode transferir os custos para o beneficiamento ou outra etapa da produção, ganhando mais rentabilidade e competitividade”, explica o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, um entusiasta do Agro 4.0.

COOPERAÇÃO NO CAMPO

A inovação digital invadiu a agropecuária brasileira, que viu na última década um crescimento exponencial do emprego das novas tecnologias em campo. Ainda de acordo com a pesquisa da Embrapa, os ganhos percebidos pelos produtores são vários, desde aumento da produtividade, maior eficiência da mão de obra até a melhoria da qualidade da produção, redução do impacto ambiental, melhor planejamento, aumento do lucro e das vendas diretas aos consumidores.

Outro dado relevante que a pesquisa traz é sobre o meio pelo qual o produtor teve contato com as tecnologias digitais. A maior parte dos entrevistados teve acesso às soluções tecnológicas por meio de consultoria ou serviços oferecidos por associações, cooperativas, sindicatos e Organizações Não Governamentais (ONGs).

Segundo o Censo Agropecuário do IBGE (2017), aproximadamente 11% dos estabelecimentos agropecuários do Brasil estão vinculados a uma cooperativa. Se levar em consideração a área das propriedades, a porcentagem sobe para 20%. Entre os cooperados, quase 64% recebem algum tipo de orientação técnica do cooperativismo, aponta o censo do IBGE.

“A cooperativa traz algo muito favorável para os pequenos produtores. Eles não conseguem investir em grandes máquinas e talvez a cooperativa, por disponibilizar, consiga trabalhar com produtos diferenciados com maior valor agregado. Nesse sentido, eu acho que o produtor cooperado tem uma vantagem tremenda”, comenta Ricardo Inamasu, da Embrapa Instrumentação.

“A cooperativa tem um potencial enorme para fornecer informação, principalmente para os pequenos produtores, permitindo que eles possam negociar de igual pra igual”, acrescenta o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas.


Esta matéria foi escrita por Débora Brito e está publicada na Edição 31 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação


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