As possibilidades do Pix

Conheça as oportunidades abertas para as nossas cooperativas nesse novo sistema que promete revolucionar o mercado de pagamentos

Farol Conteúdo
17/11/2020

Talvez você não saiba, mas o Brasil é líder mundial em eficiência, agilidade e segurança nas operações bancárias. Sistemas automatizados de transferências bancárias como DOC e TED são genuinamente brasileiros e servem de modelo para muitas instituições internacionais. Este ano, o Brasil deu mais um passo à frente e o Banco Central anunciou a chegada do PIX, um novo sistema instantâneo de transação financeira que promete revolucionar o mercado de pagamentos no país.

Funcionando de forma experimental desde o dia 16 de novembro, o PIX permite que você faça pagamentos e transferência em tempo real, 24 horas por dia, todos os dias da semana, usando apenas o celular. Com ele, não é mais preciso preencher com a conta, a agência e o CPF do beneficiado. Basta escanear um código de barras ou digitar a “Chave Pix” (código individual) da pessoa no celular. E o melhor de tudo: você não pagará nenhuma taxa por isso, se estiver usando uma conta de pessoa física.

As cooperativas de crédito de todo o País enxergaram as inúmeras oportunidade abertas pelo PIX e — além de já estarem oferecendo esse serviços aos cooperados — começaram a estudar novas maneiras de usar a tecnologia.  O objetivo é um só: potencializar as vantagens do PIX para os nossos cooperados. E para falar sobre o assunto, convidamos especialistas dos dois bancos cooperativos do Brasil:  Sicoob e Sicredi. Em um bate-papo cheio de revelações, o diretor executivo de produtos e negócios do Sicredi, Cidmar Stoffel, e o diretor de Operações  do Centro Cooperativo Sicoob, Marcus Vinicius Borges, contaram quais os impactos esperados pela implantação do PIX em suas cooperativas.  Confira:

 

Revista Saber Cooperar: O que muda na vida dos brasileiros com a chegada do Pix?

Cidmar Stoffel: O Pix representa uma inovação na forma de transferir, pagar e receber valores, trazendo ainda mais liberdade, segurança, agilidade e conveniência aos usuários. Sabe quando você precisa transferir uma quantia em dinheiro no meio da tarde e a outra pessoa que vai receber precisa esperar até o dia seguinte para a confirmação do valor? Ou quando você lembra de pagar uma conta durante o final de semana?  Com o Pix, o valor entrará instantaneamente na conta do recebedor — seja uma pessoa física, pessoa jurídica ou governo para pagamentos das Guias de Recolhimento da União. O Sicredi está sempre em busca de oferecer novas e melhores experiências aos associados na sua relação com as finanças, e o Pix chega como um recurso importante nesse sentido.

 

Marcus Vinícius Borges: O Pix tem o potencial de trazer mudanças estruturantes na vida cotidiana das pessoas e das empresas que possuem necessidade de realizar pagamentos de diversas naturezas, como compras em estabelecimentos comerciais, presenciais ou digitais, por meio de boletos de cobrança, contas de consumo (água, luz, telefone), tributos e ainda da realização de transferências entre pessoas e empresas. Tal potencial é gerado pelos novos conceitos trazidos pelo Pix, como a instantaneidade da realização das transações, que se efetivam em até 10 segundos; a disponibilidade, já que o sistema funcionará 24 horas, sete dias por semana; a diminuição de custos, pois há uma redução significativa na quantidade de intermediadores das transações de pagamentos; o custo muito baixo das transações Pix e ainda a regulação do Banco Central determinando isenções em algumas transações, como, por exemplo, entre pessoas físicas.


E para as cooperativas de crédito? O que o Pix traz de benefícios para o nosso sistema?

CS – O grande diferencial do novo meio de pagamento é que ele é um passo importante na evolução do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e, portanto, do cooperativismo de crédito brasileiro. A novidade chega para modernizar os mecanismos, que até então eram guiados por um conjunto de regras existentes há quase duas décadas. O Pix, é mais uma opção importante com a qual os associados podem contar em nossas cooperativas. E além de muito mais segurança, eficiência e agilidade nas operações, a plataforma também vai ao encontro de uma série de iniciativas das instituições financeiras voltadas para uma jornada de transformação digital na relação com clientes e associados.

MVB: As cooperativas de crédito enfrentarão desafios importantes com o lançamento do Pix. Há uma forte tendência no aumento da concorrência promovida pela entrada de diversos novos players fornecendo contas correntes e contas de pagamentos para que as pessoas e empresas possam realizar suas transações. Porém, as cooperativas estão bem posicionadas para enfrentar esse desafio. Com uma atuação que mescla soluções digitais completas e presença nas localidades, tendem a ter maior fidelidade dos cooperados no uso de produtos e serviços, e, portanto, poderão utilizar todos os argumentos positivos do Pix e ainda complementá-los com uma oferta do portfólio de produtos/serviços em condições mais justas. Em relação ao mercado, a nova solução de pagamento está muito alinhada aos pilares do Sicoob, tais como o incentivo à maior inclusão e justiça financeira no Brasil.


Como o seu sistema está se preparando para a chegada do Pix?

MVB: O Sicoob foi uma das primeiras instituições a se homologar perante o Banco Central para realização das transações previstas no Pix. Com isso, tivemos ainda a oportunidade de realizar testes de forma antecipada e disponibilizar, na data e horário previstos, a solução para cadastro de chaves Pix conforme cronograma do Banco Central. Toda nossa solução tecnológica já está pronta para a entrada em funcionamento das transações de pagamentos e recebimentos previstas para o próximo dia 16/11.

CS: Em setembro, o Sicredi ativou a etapa de pré-cadastro do Pix, para que nossos associados pudessem antecipar o registro do seu interesse em utilizar a modalidade conosco. Agora, até 15 de novembro, faremos o cadastramento de associados para uso do Pix, que começa a funcionar no dia 16 de novembro. Os associados interessados em usar a solução podem cadastrar as “Chaves Pix”, que podem ser CPF, CNPJ, e-mail e números de telefones celulares, em nosso aplicativo Sicredi e Woop Sicredi. As chaves servirão como identificação dos usuários no momento da operação financeira.

Para o Sicredi, a chegada do Pix ao mercado marca uma evolução importante e reforça as iniciativas que temos desenvolvido para fomentar a inovação no segmento de meios de pagamento eletrônicos, pois segurança e praticidade são duas questões de extrema importância para nós, e essas tecnologias favorecem isso. Aproveito para comentar que, em maio deste ano, antecipamos aos nossos associados uma experiência semelhante ao Pix, com o lançamento de pagamentos eletrônicos via QR Code pelo aplicativo para transferências e pagamentos entre associados, o que demonstra o caráter inovador que buscamos entregar.


O Banco Central se surpreendeu com a lista de mais de 600 cooperativas pedindo adesão ao Pix. A que se deve essa grande demanda?

MVB: As cooperativas financeiras estão bastante alinhadas às principais inovações do mercado financeiro. Sempre foi assim. Oferecer as melhores ferramentas para que nossos cooperados tenham um cotidiano mais facilitado por um portfólio completo e pela tecnologia de ponta está no nosso DNA, sendo um dos nossos princípios. Além disso, mesmo sendo um segmento específico no mercado financeiro, as cooperativas financeiras competem no dia a dia com os demais bancos e, agora mais recentemente, com as soluções trazidas pelas fintechs. Portanto, elas não poderiam ficar de fora da oferta da solução Pix, pois terão assim condições igualitárias de competir por novos cooperados e continuar levando soluções completas e justas aos seus atuais quadros de cooperados.

CS: Essa demanda mostra que inovações como essa não são apenas uma tendência, algo do futuro, mas já são realidade e vieram para ficar. A sociedade está mudando, são novas formas de nos relacionarmos, novas maneiras de consumo e não é diferente com a forma como gerenciamos nossas vidas financeiras. No Sicredi, nossas cooperativas estão muito próximas das comunidades e entendem que a adesão é importante para oportunizar as melhores experiências, mais convenientes, simples, ágeis e seguras, aos seus associados.


Existem outras possibilidades de uso para o Pix ainda não implementadas no Brasil? Quais?

MVB: O Pix trará diversas possibilidades de aplicações em casos de usos das mais variadas naturezas financeiras e, com certeza, muitas ainda não previstas ou sequer imaginadas até então por se tratarem de algo tão novo. Mas podemos pensar em Pix Internacional, antecipação de Pix agendado, Pix garantido, entre outras possibilidades. Acredito ainda que o Pix, conjugado com o projeto de Open Banking do próprio Banco Central, trará uma nova dinâmica de mobilidade no relacionamento com as instituições financeiras e na realização de suas transações, pois oferecerá mais facilidade na abertura de contas e ainda na realização de transações financeiras de provedores a partir de um único App, trazendo assim mais competitividade ao mercado.

CS: Sim, existem diversas possibilidades de uso do Pix. Podemos citar como exemplo as transações online to offline, chamado de O2O, onde uma das partes do pagamento (pagador ou recebedor) está sem conexão de dados. Isso é muito positivo para um contexto de regiões com menor abrangência de rede de dados. Outra possibilidade de uso muito interessante é o pagamento por documento, com transações inteligentes que vincularão os documentos de transferências de bens ao pagamento via Pix. Além disso, no âmbito de Pagamentos Instantâneos, também poderão ser explorados os pagamentos transfronteiriços.

Atualmente, mais de 60% da população brasileira ainda usa dinheiro vivo. O senhor acha que o Pix vai mudar essa realidade?

MVB:  É bastante provável que o Pix modifique ao longo do tempo essa realidade. Além de conferir maior rapidez às transações digitais, ele também é muito mais seguro. Veja: será muito mais confortável e prático fazer um pagamento ou uma transferência a partir do celular, com um simples toque, do que andar com dinheiro vivo por aí. Acredito que a população vai se adaptar aos poucos a essa nova realidade.

CS: Acredito que essa realidade irá mudar aos poucos e a agilidade e praticidade que o Pix entrega com certeza impulsionará esse movimento. Essa mudança também vai acontecer por meio de outros recursos apresentados pelas instituições financeiras nos últimos anos. A adesão a essas tecnologias irá ocorrer de maneira gradual e o cooperativismo de crédito, com sua capilaridade e potencial de gerar inclusão financeira, levando os benefícios dos serviços financeiros a diversas regiões do país, tem muito a contribuir com isso.

Caminhamos para nos tornar uma “sociedade cashless”, com operações financeiras mais sustentáveis, sem circulação de moeda em espécie, sem os riscos gerados na movimentação do dinheiro físico, com menos impacto ambiental e muito mais digital, com tudo disponível por meio de um simples clique, 24 horas por dia, sete dias por semana.


Alguns impostos até pouco tempo só podiam ser pagos em bancos públicos ou por bancos cadastrados junto às concessionárias. O Pix vai resolver esse problema?

MVB: Sim, as pessoas e empresas poderão pagar impostos e taxas de serviços (assim que disponíveis) diretamente pela plataforma Pix, pois essas transações não estarão limitadas a serem realizadas apenas em instituições que possuem convênio de arrecadação com o governo ou com as empresas concessionárias. Isso vai facilitar demais o dia a dia e até evitará deslocamentos de determinadas IF’s para pagamentos de contas, por serem pagáveis somente nelas.

CS: Ele ajudará a promover mudanças neste mercado, porém a velocidade de progresso dependerá de atualizações de processos e tecnologia dos entes governamentais para mudarem seus fluxos de conciliação e controles fiscais, bem como mudanças regulamentares para contratação de entidades financeiras para prestação de serviços. Já no segmento de serviços de consumo, como água, energia e telecomunicações, a sua adequação tende a ser mais rápida. Também cabe salientar que a cultura de pagamentos em espécie, ainda existente, é um freio a uma adequação mais intensiva ao PIX por este meio no curto prazo.


Você acredita que o Pix vai acabar com meios de pagamento como o DOC/TED e os boletos?

CS : O Pix será uma alternativa à TED (Transferência Eletrônica Disponível) e ao DOC (Documento de Ordem de Crédito). Mesmo com a nova forma de pagamento, no Sicredi, as opções de TED e DOC continuarão disponíveis. O diferencial é que a partir de 16 de novembro os associados terão mais uma opção. Não será uma substituição, e, sim, algo que vem para acrescentar.

MVB: Ao longo do tempo, esses meios de pagamentos, assim como o pagamento por cartão de débito, realmente serão os mais ameaçados com a entrada do Pix. Porém, não acredito que irão acabar de uma hora para outra. Haverá um tempo para as pessoas e empresas conhecerem, confiarem e se adaptarem. Entendo que o Pix será complementar aos demais meios de pagamentos existentes que possuem características e facilidades que, em determinados momentos, continuarão fazendo sentido serem utilizados em detrimento ao Pix.

 

E como ficam os cartões de crédito com a chegada do Pix?

CS: Em um primeiro momento, espera-se um baixo impacto nas transações com cartões de crédito, visto que o PIX necessita de disponibilidade imediata do recurso financeiro em conta corrente. Já o cartão de crédito se equivale a um instrumento de crédito, que visa o financiamento/parcelamento de compras de maior valor, pagamento em até 40 dias das compras do dia-a-dia, além dos benefícios e programas de recompensas muito valorizados pelos usuários de cartão.

MVB:  Os cartões de crédito possuem características comerciais, como por exemplo: comprar com pagamento em data futura, possibilidade de parcelar uma compra e ainda participar de programas de fidelidade robustos que ainda não são contemplados pelo Pix. Com isso, eles ainda terão uma representatividade muito forte no dia a dia de compras da população e de empresas. É sempre importante destacar que o Pix possui características e facilidades que promoverão sua utilização pelas empresas/pessoas, mas os meios de pagamentos atuais estão bem consolidados e com características que facilitam o dia a dia, trazendo benefícios aos usuários. Portanto, haverá uma convivência entre eles.


A chegada do Pix seria possível sem a participação do Banco Central?

CS: O Sistema Financeiro Nacional (SFN) já vinha na direção de criar recursos semelhantes ao Pix, algo que vem sendo impulsionado há alguns anos pela disseminação do conceito de Open Banking. No entanto, o Banco Central exerce papel fundamental para a implementação de uma inovação como essa em grande escala e de modo que os princípios éticos concorrenciais sejam respeitados.

MVB: O papel do Banco Central está sendo fundamental para a implementação do Pix, pois, mais do que atuando como um órgão regulador, ele está sendo o grande orquestrador de todo o processo, estruturando grupos de trabalho que envolvem todos os segmentos do mercado, realizando eventos de divulgação e criando uma regulamentação que permite um aumento expressivo da competitividade no uso de meios de pagamento no Brasil. Sem dúvida, a atuação até então do Banco Central será um dos principais pilares de sucesso do Pix. Agora, cabe às instituições exercerem o grande papel de fornecedores das soluções de uso do Pix, sendo esse o segundo pilar. Como o terceiro e mais importante, serão as empresas e a população que deverão compreender o Pix como um grande facilitador do seu dia a dia de transações financeiras e utilizá-lo cotidianamente.


Esta matéria foi escrita por Paula Andrade e está publicada na Edição 31 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação 


 

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