Coop digital

Você já ouviu falar em um espaço virtual onde é possível comprar diversos produtos e ferramentas na área do cooperativismo? Essa realidade já está acontecendo com o marketplace Supercampo, uma plataforma criada em parceria com a Integrada Cooperativa e mais outras 11 nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo

Farol Conteúdo
12/04/2022

Seguindo esse movimento de digitalização de serviços, a Integrada Cooperativa — em parceria com outras 11 cooperativas do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e São Paulo — criou o marketplace Supercampo para venda de insumos, peças e ferramentas para os cooperados e colaboradores. Até o fim do ano a plataforma terá 200 mil itens disponibilizados.

E a expectativa é que no futuro próximo o marketplace atenda ao público em geral, nos moldes de plataformas digitais como a Orbia, a Magalu, do ramos de eletrodomésticos, entre outras redes.

O professor da FGV, Leandro Guissoni, destaca: “em virtude dos riscos e especificidades que existem no agro, maiores que em outros setores, os produtores já vinham se organizando para integrar atividades da cadeia de valor. As cooperativas são prova disso. Elas integram diversos produtores, diversas atividades, buscam ganhos coletivos. A meu ver, de todos os canais do agro, as cooperativas têm potencial disruptivo extremamente forte. Elas tendem a ser mais cirúrgicas sobre que solução e que tecnologia trazer para os produtores”.

A Cooperativa também tem vínculo com grandes empresas do setor, como a Bayer, de onde recebe sementes com tecnologia agregada, entre outros insumos. No caso do produtor João Francisco, a parceria com a empresa ocorre por meio do projeto Valore, que promove a certificação da propriedade rural pela RTRS, uma iniciativa europeia que atesta o cultivo sustentável da soja e a responsabilidade socioambiental do setor.

“Instalamos placas fotovoltaicas para gerar nossa própria energia, captamos água com poço artesiano, isolamos a sede da propriedade para proteger os funcionários em área delimitada, uma série de práticas de utilização dos insumos e das máquinas agrícolas, de acordo com o bem estar social e ambiental. Isso é uma coisa que já estamos desempenhando na nossa propriedade”, conta João Francisco.

NÚMEROS QUE IMPRESSIONAM

Os resultados da política de inovação da Integrada já trouxeram frutos para a cooperativa. Em 2020, ela superou a barreira dos R$ 4 bilhões de faturamento, mesmo com a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. E com o novo ciclo estratégico, a meta é faturar R$ 8 bilhões.

Buscamos em cinco anos dobrar nosso faturamento em resultado percentual. A transformação digital é uma das estratégias que utilizamos para essa frente. É o cooperativismo de resultado, que mantém a essência e os princípios do cooperativismo, buscando a eficiência operacional em todas as frentes”, comentou Galletti.

Com mais de 700 mil hectares de área produtiva, a Integrada atua nos estados do Paraná e de São Paulo. A produção é voltada para os grãos, principalmente soja, milho, trigo, café e laranja, mas também tem algumas indústrias de beneficiamento dos produtos.

MERCADO EM MOVIMENTO

A tendência de especialização das atividades do agro foi um dos pontos destacados por Leandro Guissoni, professor da FGV, na semana InovaCoop, realizada em setembro pelo Sistema OCB. O professor explicou que esse processo é resultado de uma mudança de foco no mercado, que passou a direcionar sua visão para a tecnologia e para a satisfação das necessidades do cliente.

O Agro sempre teve uma lógica de visão de produto. Por isso tem empresas especializadas em fertilizantes, defensivos, máquinas agrícolas e sementes. As principais empresas do agro cresceram com essa orientação do produto, mas aí vem a visão de tecnologia [que atua com muitas empresas diferentes]” e com foco no cliente”.

O especialista ressaltou, ainda, que essa pulverização do trabalho no campo alterou a correlação de forças no mercado agro, antes dominado por grandes corporações. O movimento também é percebido em outros modelos de negócio.

“Tradicionalmente, as empresas fabricantes, por meio de muitos canais de distribuição, inclusive cooperativas, queriam estar presentes em todas essas etapas para oferecer um pacote completo para o produtor. Mas, os bancos tradicionais não conseguiram fazer isso, no setor automotivo grandes marcas não conseguiram fazer isso, então, eu acho difícil alguém conseguir no agro. A única solução é saber qual etapa eu quero fazer melhor para o produtor. Afinal, quem quer fazer tudo bem feito não faz nada. Tem que ser preciso”, explica Guissoni.

Para o professor Marcos Fava, o cenário de inovação favorece o cooperativismo, que já ocupa papel colaborativo no modelo de produção e pode se fortalecer ainda mais com a possibilidade de desacoplamento das atividades de produção.

Como a cooperativa é uma entidade acopladora, ela tem que descobrir as melhores peças, às vezes fazer como no setor privado, e ser a protagonista dessa questão toda. Entendendo os problemas, mapeando onde tem solução e com isso entregar o principal de uma cooperativa que é valor para o produtor rural”, comentou Fava.

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FIQUE DE OLHO

O impacto da digitalização no campo foi debatido no painel “Transformação Digital e Novos Canais para o Agro”, durante a semana InovaCoop, promovida pela OCB. Participaram do debate o professor da FGV EAESP, Leandro Guissoni; o Doutor em Agro, Marcos Fava, e o diretor da Natura, Murilo Boccia. Confira a íntegra da mesa redonda.

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Esta matéria foi escrita por Débora Brito e está publicada na Edição 36 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação


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