Fazendo acontecer

Débora Ingrisano iniciou a sua caminhada no cooperativismo há mais de 20 anos, como estagiária. De lá para cá, foram muitos caminhos percorridos e todos com muito sucesso

Farol Conteúdo
15/06/2022

Do início como estagiária em uma cooperativa de crédito no interior do Paraná até a coordenação de uma área estratégica no Sistema OCB, foram mais de 20 anos de uma trajetória de lutas e determinação. Débora Ingrisano ingressou no mundo do cooperativismo ainda muito jovem, quando cursava Administração, e não desperdiçou as oportunidades que surgiram pelo caminho.

Ela começou em uma agência que atende cooperados e passou por diferentes funções, como caixa e o atendimento de clientes, até que o presidente da cooperativa na época notou sua habilidade de comunicação e a convidou para estruturar a área de marketing. Mesmo sendo ainda uma estudante, aceitou o desafio. 

Débora Ingrisano

Comecei a cuidar da área e adorei. Eu me identifiquei demais com comunicação e marketing nessa cooperativa singular. Depois, apareceu uma oportunidade de ir para Brasília, trabalhar na Confederação, daí eu cuidei de um projeto de padronização e ampliação da marca Sicoob”, conta. 

Mais adiante, depois de morar um tempo fora do país com a família, Débora voltou para a área de marketing da cooperativa, quando foi convidada para trabalhar em uma área comercial, de apoio aos negócios. E a guinada mais recente na carreira ocorreu em novembro de 2021, quando foi convidada para ingressar no sistema OCB, como Gerente de Desenvolvimento de Cooperativas.

Esse convite me atraiu muito, porque é um sonho pra todo mundo trabalhar no Sistema OCB, por ser a maior organização do cooperativismo. E também por trabalhar com educação, que é algo que eu gosto muito. Essa é minha história”, resume.

Sobre os desafios enquanto mulher, Débora compartilha que mudou sua percepção à medida que a temática ganhou mais abertura na sociedade. Ao longo de sua carreira, ela reagiu de maneira diversa à medida que foi amadurecendo sobre o assunto.

“Quando eu era mais jovem, eu ensinava as meninas que trabalhavam comigo a não se importar, dar uma risadinha se ouvisse alguma piadinha. Hoje, quando eu lembro, eu até já pedi desculpa para essas mulheres. Eu não tinha noção de que estava errado e que é preciso se posicionar para evitar a normalização do assédio”, relembra.

Outro aprendizado importante na carreira de Débora veio depois da leitura do livro “Faça Acontecer”, de Sheryl Sandberg. A autora fala que homens são promovidos por potencial e mulheres por entregas. “De fato, sempre tive que entregar, entregar, entregar. Cheguei a liderar equipes sem cargo de gestão, para depois receber parabéns. E vi homens chegando com menos experiência do que eu, com quase nenhuma entrega, subindo na carreira com argumentos como: “olha, ele tem muito potencial, tem três pós-graduações”, mas e as entregas?”, questiona.

No cargo atual, em um ambiente majoritariamente feminino, Débora sente-se mais encorajada a incentivar outras mulheres a mostrarem seu potencial e avançarem na carreira cooperativista, principalmente no contexto de valorização de uma maior diversidade nas empresas.

O cooperativismo é um movimento socioeconômico. E a parte social, eu acredito que as mulheres fazem com mais destreza porque o feminino é acolhedor, é humano. O protagonismo feminino é essencial para que o cooperativismo tenha futuro. Hoje, temos uma grande quantidade de mulheres no mercado de trabalho, com capacidade de consumo e alto grau de instrução.  Se a gente quer construir o futuro, não pode dispensar as mulheres por razões econômicas, educativas e sociais”, argumenta.

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Esta matéria foi escrita por Débora Brito e está publicada na Edição 37 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação


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