Inovar não é mais uma escolha

Sistema OCB investe em curso de formação de agentes de inovação que já formou 1500 profissionais de mais de 220 cooperativas, em sete estados.

Farol Conteúdo
09/07/2021

APRENDIZAGEM TRANSFORMADORA
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Atenta à crescente demanda cooperativista por inovação, a OCB lançou em fevereiro deste ano, em parceria com o Instituto Superior de Administração e Economia (ISAE Brasil), o Programa de Formação de Agentes de Inovação no Cooperativismo Brasileiro.

O curso é desdobramento de um programa de inovação já desenvolvido pelo ISAE, com metodologia focada no cooperativismo. Em pouco mais de três anos, ele formou mais de 1500 agentes de inovação de mais de 220 cooperativas, em sete estados.

Nossa capacitação tem o propósito de fomentar cultura de inovação nos ambientes das cooperativas de diversas formas, uma delas é o envolvimento e a abertura dos espaços para que mais colaboradores tenham informação e entendam realmente o que é inovação. Muita gente quando pensa em inovação, pensa em tecnologia. Esse é um tabu que precisamos romper”, explica Thiago Martins, coordenador do programa.

O conteúdo do curso foi desenvolvido com foco na transformação do modelo mental dos participantes e com o objetivo de preparar os colaboradores para atuar em contexto de mudanças, como o da pandemia. Ele está dividido em quatro módulos, chamados de trilhas do conhecimento. 

O primeiro deles é comum a todas as turmas e tem o objetivo de diagnosticar as principais habilidades dos alunos, como liderança, espírito empreendedor, empatia, colaboração e senso de urgência. No segundo, são apresentados conceitos gerais para fortalecer a base teórica no tema. 

Já no terceiro módulo, os participantes passam por um processo de gamificação depois do qual são divididos em grupos de acordo com seus perfis (se são mais idealizadores ou transformadores). Neste módulo, eles experimentam novas ferramentas que potencializam a criatividade e outras competências técnicas, como capacidade de observar, associar, questionar práticas ineficientes, experimentar coisas diferentes e fazer networking.

Por fim, no quarto módulo, é a hora da aplicação prática de todo o conteúdo absorvido no programa. Nesta etapa, os participantes são desafiados a transformar as ideias inovadoras em projetos, a criar soluções para os desafios lançados e alcançar um resultado concreto.

Agora em 2021, o curso de formação de agentes de inovação está com uma abordagem um pouco diferente. É a primeira vez que tem uma turma específica para colaboradores do Sistema OCB de todas as regiões do país. Uma segunda turma foi criada com participantes de cooperativas vencedoras da edição de 2020 do Prêmio SomosCoop – Melhores do Ano, além de representantes de confederações como o Sicoob, Sicredi, Unicred, Unimed entre outras. Cada uma delas tem 36 alunos que passarão por 192 horas de capacitação, a serem completadas no período de um ano.

GENIALIDADE COLETIVA

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Segundo a coordenação do programa, a capacitação de agentes de inovação do cooperativismo foi desenhada para aproveitar as potencialidades de cada aluno, visando a construção da chamada genialidade coletiva. 

Nós somos a soma de partes que agem, sentem e pensam de formas diferentes e quando conseguimos combinar essas partes temos um resultado inovador.  Trabalhar numa equipe com pessoas de gerações, culturas e formações diferentes é benéfico e muito importante para conseguir extrair ideias. Porque tudo começa com desafios e a partir deles captar ideias para solucioná-los. Quando a gente consegue engajar os colaboradores nessa geração de ideias, temos oportunidades de inovação”, destaca Martins.

A coordenadora do Núcleo de Inovação da OCB, Samara Araújo, reforça que a formação tem o objetivo de tornar os agentes de inovação aptos a apoiar as cooperativas na solução de seus problemas e responder aos estímulos e transformações que estão acontecendo no mundo.

A OCB está oferecendo um serviço para auxiliar nossas cooperativas a entregarem serviços e produtos de qualidade e a melhorarem a instituição como um todo. Se não aprendermos a lidar com o novo, não tem como seguir em frente neste mundo que se transforma todo dia. Então, capacitação é o caminho para o sistema, para as cooperativas e para nós, como pessoas e profissionais”, afirmou.

Samara é uma das alunas do programa de formação de agentes de inovação lançado este ano. Para ela, a oportunidade tem sido muito rica e tem rendido bons frutos, além de novas conexões com diferentes ramos do cooperativismo.

O que mais me impactou até agora foi o ambiente multidisciplinar. Na turma temos cooperativas de agro, crédito, de saúde, transporte, infraestrutura de várias regiões do país. Estou aprendendo muito com essa diversidade. Estar nesta capacitação com outras pessoas do cooperativismo é uma experiência bem rica e a chance de ter impacto é muito maior”, relata.

A coordenadora destaca, ainda, que o curso pretende que os participantes compartilhem o conhecimento adquirido com outros colaboradores e cooperados, reforçando o espírito de colaboração do cooperativismo.

Vandalva é pedagoga de formação e atua no cooperativismo de crédito há mais de 20 anos. Ela ingressou no programa regional do ISAE em outubro do ano passado para se preparar frente aos desafios impostos pela pandemia do coronavírus.

Eu sou da geração do telefone orelhão de moedinha, sempre fui arredia às redes sociais e pensava que inovação tinha a ver só com questões tecnológicas. Eu sabia que precisava me atualizar nisso. Daí comecei a fazer o curso. O interesse surgiu da necessidade de aprofundar em inovação e ver como esse conceito se materializa na nossa prática”, conta.

Vandalva já ocupou diferentes cargos na cooperativa e relata ter vivenciado ao longo de sua trajetória situações de cunho inovador, mas que não eram organizadas e sistematizadas para gerar resultados mais perenes.

“O curso me fez entender que a inovação não é uma moda, uma tendência, é uma necessidade, porque os cooperados estão cada vez mais exigentes, querendo resultados mais ágeis e entregas mais eficientes. Precisamos inovar nas soluções. As mudanças estão acontecendo e para os problemas atuais não cabem as soluções do passado”, declara Vandalva.

Como presidente, um de seus maiores desafios foi o processo de elaboração do planejamento estratégico para os próximos 10 anos da organização e a necessidade de ajustar as metas de acordo com a nova realidade de 2020. 

O Sicoob Coopere também foi desafiado a se relacionar de forma remota com os 45 mil cooperados e manter de forma ágil a prestação de serviços e as respostas aos problemas do dia a dia. 

Pensávamos que a pandemia passaria em alguns meses, diagnosticamos vários problemas na elaboração do planejamento estratégico e os projetos de resposta ficaram paralisados porque foram todos idealizados para serem realizados presencialmente”, relata.

Além da presidente, o Sicoob Coopere tem mais dois colaboradores participando da capacitação. Segundo Vandalva, eles encontraram no curso não só conhecimento, mas também uma grande oportunidade de firmar parcerias com outras cooperativas que já tem soluções prontas possíveis de serem aplicadas no Sicoob Coopere.

“O curso tem nos ajudado a redimensionar os projetos da cooperativa diante desse novo jeito de viver, de comunicar e se conectar com as pessoas e nos motivou a buscar ajuda. E fez a gente entender que inovação não é uma escolha, agora é uma necessidade para encontrar a luz para continuar caminhando. É um processo sem volta, a pandemia só acelerou”, completa.



Esta matéria foi escrita por Débora Brito e está publicada na Edição 33 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação


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