Mobilidade inteligente e sustentável

Cooperativa americana de dados, Driver’s Seat, cria aplicativo inovador para ser usado por motoristas de aplicativos de transporte

Farol Conteúdo
16/01/2023

Se sua condição de saúde pode fazer diferença na vida de outras pessoas e da sociedade como um todo, informações como os lugares por onde você dirige, os quilômetros rodados por dia e quanto tempo leva para se deslocar de um ponto a outro na cidade também são valiosos para o cooperativismo, o mercado e o poder público.

De olho na possibilidade de contribuir para a tomada de decisões relacionadas à mobilidade urbana, a cooperativa Driver’s Seat criou um aplicativo para ser utilizado por motoristas de aplicativos de transporte, como o Uber. O app gera uma série de dados sobre as corridas feitas pelo motorista.

As informações são coletadas pela cooperativa e repassadas para órgãos públicos ou centros de pesquisa dados para apoiá-los na tomada de decisões relacionadas à gestão da mobilidade urbana.

O objetivo é melhorar o planejamento da arquitetura das cidades e encontrar soluções para congestionamentos e outros problemas de trânsito e mobilidade. As informações coletadas pelos motoristas são vendidas pela cooperativa, que reverte os ganhos para os próprios condutores.

A partir do momento que você usa as cidades para o bem público, você cria uma inteligência coletiva urbana e as soluções deixam de ser oferecidas somente pelos governos e passam a ser oferecidas também por startups, por ONGs e outros atores da sociedade que não somente o governo. Então, a gente tem cidadãos mais participativos e colaborativos promovendo a democracia nas cidades”, explica Fabíola Nader Motta, do Sistema OCB.  

LEGADOS E DESAFIOS

O uso de informações pessoais para basear decisões voltadas a mudanças sociais e inovações tecnológicas é uma tendência em ascensão no coop internacional. Ele tem sido muito aplicado na estruturação das Cidades Inteligentes, com o intuito de criar uma inteligência coletiva urbana para resolver problemas públicos. Seu uso vai desde o gerenciamento de tráfego nas cidades até o uso de informações pessoais para promover a saúde da população. 

De fato, o trabalho das chamadas cooperativas de dados pode favorecer o fortalecimento de todo o ecossistema de governança de dados e estimular a ampliação da legislação de proteção de dados pessoais e de transparência de dados públicos, por meio de decretos municipais de dados abertos e leis de governo digital.

Mas para que experimente uma expansão mais significativa, esse ramo do cooperativismo ainda precisa atravessar algumas barreiras, como quebrar silos de dados, já que na maioria das vezes as informações não estão centralizadas em um único portal de dados ou não estão padronizadas e formatadas da mesma maneira. 

Há ainda o desafio de se adequar a diferentes legislações e de construir uma infraestrutura tecnológica segura e eficiente, além da falta de recursos.

Para superar parte dos desafios, existe a possibilidade de criar uma coordenação de rede e fomentar uma cadeia produtiva de valor por meio do compartilhamento de infraestrutura computacional, de dados e recursos humanos e, principalmente, estabelecer objetivos claros de negócios compartilhados entre os parceiros da cadeia. 

Outra alternativa passa pela inteligência de dados, com o desenvolvimento de serviços digitais flexíveis e adaptáveis, permitindo análise constante da interação e do comportamento do usuário com os serviços ofertados. 

Temos grandes desafios para os próximos anos de transformação digital, mas, para quem já possui em sua essência cultural a cooperação, metade do caminho já foi trilhado. A governança de dados de forma ética em compliance com as leis vigentes é um dos maiores legados que as cooperativas de dados podem oferecer”, ressalta Fabíola.


Esta matéria foi escrita por Débora Brito e está publicada na Edição 40 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação


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