Pioneirismo desde a fundação

A vida financeira de quase 84 mil brasileiros está sendo gerida por uma mulher: Aifa Naomi, presidente do Sicoob Central Rondom

Farol Conteúdo
27/05/2021

Há 23 anos, ela participava da criação de uma cooperativa de crédito em União (MT). Hoje, é a primeira e única mulher presidente das 16 Centrais do Sicoob. Há seis anos, a economista Aifa Naomi comanda o Sicoob Central Rondon, que abrange quase 84 mil cooperados com oito afiliadas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia. 

Sou a única mulher na presidência de uma central, não só do Sicoob, mas acho que de todo o sistema cooperativista de crédito. Porque converso com outras entidades e nunca encontrei outra mulher em cargo desse nível”, conta Aifa. Concomitante ao Sicoob Central Rondon, ela também preside a cooperativa Sicoob União (MT), que ajudou a fundar. 

Na cooperativa, há mulheres na diretoria e nos conselhos, mas elas ainda ocupam cerca de 20% a 30% do corpo de gestão, segundo Aifa. “Não é uma ideia machista, mas em outras épocas havia menos interesse da mulher em ocupar esses espaços. Quando havia a oportunidade, às vezes, ela declinava porque queria priorizar a família e os filhos. Hoje a gente percebe em nossas funcionárias que elas são muito mais interessadas em participar e se preparar”, diz. 

Para Aifa, a chave para enfrentar o ambiente masculino é estar sempre preparada e ter domínio do tema. “Eu não dou nem a oportunidade de eles acharem que eu não estou preparada. Isso deixa a gente insegura. Tenho muita certeza, porque me preparo muito. Com certeza, não são todos que estão ali torcendo por você, porque nossa cultura é machista. Você tem que focar no que você quer, com certeza do está falando”, diz. 

Ela quer aproveitar sua posição hoje no sistema para criar iniciativas que possam apoiar a mulher a ir mais longe no cooperativismo. “Por exemplo, pensar em um programa em que a mulher que teve bebê possa automaticamente ficar em home office, desde que o setor em que ela esteja permita. Ações protetoras, porque não é fácil mesmo, a mulher tem mais funções”, diz. No Sicoob União, em cursos de formação de lideranças, já é obrigatório um percentual mínimo de participação de mulheres. 

O trabalho é duro, mas a motivação de Aifa vem de saber que, com o cooperativismo, ela consegue impactar — e transformar — pessoas e comunidades.

Quando a gente se instala em um local para montar uma agência, contrata pessoas da região. Se o município faz uma quermesse ou uma feira, o Sicoob está lá apoiando. Nós somos como se fôssemos da família do município. A cadeia econômica gira. Como economista, a gente sonha em fazer isso, sabe? A gente alcança isso no cooperativismo de uma forma muito tangível”, diz. 


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CONHEÇA OUTRAS PIONEIRAS DO COOPERATIVISMO

Eliza Brierly

A primeira mulher a ingressar em uma cooperativa de que se tem notícia foi a inglesa Eliza Brierly, que em 1846 fazia parte da Cooperativa dos Pioneiros de Rochdale, na Inglaterra. Ela era tecelã e a única mulher do grupo, formado por 28 membros. A famosa cooperativa de Rochdale, considerada líder do cooperativismo moderno, também foi pioneira ao permitir que mulheres e homens participassem juntos da organização. Naquele período, as mulheres não tinham direitos legais nem civis. 

Pauline Green

Primeira mulher a presidir a  Aliança Cooperativa Internacional (ACI), ela foi eleita em 2009, após 115 anos da fundação da organização. Inglesa, Pauline Green foi também presidente da ACI Europa e abriu espaço para outras mulheres na organização. Depois dela, a canadense Monique Leroux foi eleita em 2015. 

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Esta matéria foi escrita por Amanda Cieglinski e está publicada na Edição 33 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação


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