Rainha da soja

Conheça a história da professora que assumiu os negócios do marido e se transformou em uma referência no agronegócio.

Farol Conteúdo
06/05/2022

Ela transformou o luto em força para construir um novo futuro. Cecilia Falavigna, 77 anos, ficou viúva há 25 anos. Na época, não tinha experiência nem conhecimento sobre os negócios da família. O marido trabalhava com plantação e venda de café no Paraná. Cecília era professora de matemática e ciências no ensino fundamental. Ele cuidava da fazenda. Ela se dedicava aos filhos em Maringá. Uma das filhas, com síndrome de Down, exigia mais dedicação e cuidados especiais.

Quando meu marido morreu de câncer, muita gente falou ‘vende, arrenda, cria gado’. Mesmo sem entender nada de roça, decidi não fazer nada disso e estou aqui, até hoje, com a minha propriedade”, conta a paranaense, que atribui boa parte da jornada de sucesso ao apoio dado pela Cocamar Cooperativa Agroindustrial, onde se tornaria conselheira e diretora.

Eu disse para a cooperativa: estou aqui, preciso do apoio de vocês. Eu preciso de apoio para poder tocar os negócios da família. Foi aí que comecei. Não tinha noção de quantidade, mas a cooperativa me orientou sobre os alqueires, quanto eu precisava de adubo e de fertilizantes. Esta parte técnica toda ficou por conta da cooperativa.” 

Com a decisão de que continuaria com o agronegócio, Cecília passou a frequentar periodicamente o campo, para se familiarizar com a rotina, e contou com o apoio de funcionários antigos. Fez cursos sobre novas tecnologias, mercado de compra e venda de produtos agrícolas. 

A agricultora resolveu apostar na diversificação do cultivo e passou a plantar milho, soja e laranja nas terras da família em Floraí, a 50km de Maringá, no Paraná. A ousadia e a persistência logo renderam bons frutos. A fazenda passou a ser uma das principais produtoras de laranja do Brasil.

Nem todo mundo, no entanto, reconheceu de imediato o talento de Cecília para os negócios. Afinal, era uma mulher plantando grãos em um ambiente predominantemente masculino. Ela sentiu dificuldade até em conseguir financiamentos para continuar investindo na produção.

Recebi vários nãos. Mas pensava: se eu não conseguir aqui, consigo lá. Nunca tive medo. Eu sempre enfrentei, sempre fui atrás”, lembra.  

O resultado não poderia ser diferente: as fazendas de Cecília — Santa Ana e Esperança — são referência em produtividade e acumulam vários prêmios no currículo. A agricultora é tricampeã no concurso de máxima produtividade em soja, promovido pela Cocamar. No primeiro ano em que participou da premiação (2012), produziu 74 sacas de soja por hectare. Na colheita de 2018, a produtividade foi de 95 sacas — o equivalente a 5,7 toneladas de grãos —, um aumento de quase 30% em relação ao primeiro ano.

De tanto ganhar prêmios pela produtividade de suas terras, Cecília passou a ser conhecida no setor como “rainha da soja”. O título foi concedido após ela ganhar a premiação de uma multinacional que avaliou a safra de grãos em 2015/2016. Desde então, ela vem, aos poucos, reduzindo o ritmo de trabalho para que o filho assuma os negócios. 

Ainda assim, acompanha o plantio, a colheita e permanece atenta às inovações tecnológicas.

Enfrentamos dificuldades com a pandemia e vamos enfrentar ainda mais agora, com essa guerra da Ucrânia, por conta da importação de fertilizantes”, lamenta Cecília. “Mas nós, mulheres, não podemos ter medo de plantar. Temos que colher para nós e para o mundo.”


Esta matéria foi escrita por Juliana Nunes e está publicada na Edição 37 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação


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