Sempre em busca de novos desafios

De um sonho para a realidade: Há cinco anos, Júnia Bueno Neves mudou a cara do cooperativismo brasileiro. Com o objetivo de reunir profissionais de diversos segmentos da engenharia e agronomia, a mineira, de 58 anos, fundou a Cooperativa de Trabalho de Engenharia e Agronomia (Engecoop)

Farol Conteúdo
30/06/2022

Quando se fala do impacto do protagonismo feminino, os bons exemplos vêm de diferentes gerações de mulheres. Jovens ou mais maduras, iniciantes ou não no cooperativismo, elas não desperdiçam a oportunidade de inovar e romper barreiras.

Mineira de Belo Horizonte, Júnia Bueno Neves, de 58 anos, construiu uma carreira sólida e respeitada como engenheira civil. Trabalhou na Prefeitura de BH por 42 anos e ocupou diferentes cargos, incluindo de gestão, no sistema Confea-Crea (Conselhos Federal e Regional de Engenharia e Agronomia), depois de eleita por seus pares.

Mas Junia nunca se aquietou. Há pouco mais de cinco anos, ela decidiu ingressar no cooperativismo e já vem colhendo frutos de um trabalho diferenciado no mercado de engenharia. Filha de uma grande cooperativista, José Neves, fundador da Unimed BH, ela também se tornou uma fundadora e criou, em 2017, a Cooperativa de Trabalho de Engenharia e Agronomia (Engecoop).

O objetivo era reunir profissionais engenheiros e agrônomos de diferentes especialidades, como civil, mecânica, química, arquitetura, geociências, ambiental, saúde, indústria, entre outras, para prestar serviços técnicos de planejamento, consultoria, elaboração de projetos, estudo de viabilidade econômica, perícia, vistoria, laudos, direção de obras e outros. A cooperativa atende a projetos da iniciativa privada e do setor público e também oferece cursos de capacitação.

Oferecemos uma gama muito grande de serviços. Hoje tem cerca de 100 cooperados que atendem no Brasil inteiro. Mas com a pandemia, tivemos um processo difícil na engenharia em 2020 e 2021. Agora é que a gente está fazendo essa reversão, porque algumas coisas estão sendo modificadas e impulsionadas no mercado de trabalho da engenharia”’, conta.

Como mulher, não é difícil imaginar os desafios enfrentados por Júnia na área da engenharia. Ela se formou no final da década de 1970, quando os cursos da área de exatas eram majoritariamente masculinos. Felizmente, ela não se intimidou e hoje, aos 68 anos, sente-se mais preparada para contornar e confrontar as situações de preconceito. 

Alavancar uma cooperativa que ainda não é tão conhecida na sociedade nem no meio cooperativista não é fácil. É preciso ter uma postura de se impor e entrar nas interlocuções com o masculino sabendo que toda vez é um desafio”, disse.

Junia também preside a Associação de Engenheiros e Arquitetos da Prefeitura de BH e é diretora administrativa da Mútua, o braço assistencial do Confea-Crea. A engenheira ainda integra um grupo de mulheres cooperativistas do Sistema Ocemg, que busca capacitar as cooperadas e aumentar a participação feminina nas cooperativas, principalmente nas instâncias de poder e gestão. 

Começamos a ter as primeiras reuniões para discutir essa questão da mulher no cooperativismo, independente do ramo. O foco é a mulher, não importa se ela é de uma cooperativa de saúde, de trabalho, de crédito. Vamos fortalecendo e criando alternativas para termos representação dentro do sistema, tanto nas regionais, quanto em nível nacional” sugere.

Junia defende que as mulheres precisam ser reconhecidas por seu profissionalismo, ocupando todos os espaços que puder. “A mulher pode estar onde ela quiser, fazer o que ela quiser. Então, é a oportunidade que a gente tem para dizer que se coloque, se apresente. O caminho não é fácil, mas o movimento de ocupação precisa vir da gente”.


Esta matéria foi escrita por Débora Brito e está publicada na Edição 37 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação


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