Três perguntas para Tatiana Prazeres

Professora de Negócios Internacionais em Pequim, Tatiana Prazeres conversou com a reportagem da Saber Cooperar sobre dicas para prosperar no mercado internacional e os erros mais comuns de quem se aventura na exportação.

Farol Conteúdo
19/01/2022

Saber Cooperar: Qual dica você dá para as cooperativas que querem chegar ao mercado externo?

Tatiana Prazeres: O principal conselho que eu tenho para aqueles que querem buscar o mercado externo é planejamento. Isso envolve avaliar quão prontas para exportação as cooperativas estão. E isso, por sua vez, envolve definir os mercados prioritários, entender quem são os concorrentes, conhecer as barreiras tarifárias, qual é o imposto de importação que se aplicaria a esse produto. Saber também quais são as barreiras não tarifárias, por exemplo, que podem ser embalagens, exigências. E descobrir as melhores formas de fazer promoção comercial no mercado definido como prioritário. Isso requer inteligência comercial e investimento. A notícia boa é que há parcerias com que as cooperativas podem contar para viabilizar esse esforço — incluindo ao OCB, a Apex e outros. 

Saber Cooperar: Ainda há a possibilidade de ampliar a participação brasileira no mercado chinês?

Tatiana Prazeres: Certamente, a China é o segundo país que mais importa no mundo, importa muitos produtos e produtos muito diversificados. Além de importar muito, é um mercado que cresce muito, é muito dinâmico. Então, as oportunidades são maiores, mas, ao mesmo tempo, é um mercado mais difícil porque é menos conhecido, aí requer um investimento mais alto. É evidente que a China ainda tem um potencial muito grande a ser explorado por exportadores brasileiros, apesar de já ser o principal destino de exportação do Brasil há mais de uma década. Há muito espaço ainda, porém o desafio clássico do Brasil nas exportações para a China é diversificar a pauta de exportação, agregar mais produtos e fazer com que eles sejam de maior valor agregado. 

Saber Cooperar: Quais erros mais comuns os exportadores brasileiros devem evitar para começar?

Tatiana Prazeres: Um dos erros mais comuns é tratar a exportação como algo ocasional. É você se preparar para fazer uma venda, mas não ver aquilo como parte de uma estratégia mais ampla, que requer investimento e planejamento. Então, você vende agora porque o câmbio é bom, porque surgiu uma oportunidade, mas você não se prepara para fazer aquilo se tornar parte da estratégia da empresa. Isso não funciona. Um outro erro muito frequente é a falta de planejamento das empresas, o fato de que às vezes elas não recolhem todas as informações necessárias para fazer esse processo e acabam se deparando com situações imprevistas e que fazem com que a experiência da exportação não seja bem-sucedida e não valha a pena.


Esta matéria foi escrita por Fábio Fleury e está publicada na Edição 35 da revista Saber Cooperar. Baixe aqui a íntegra da publicação


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