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7 motivos que levaram a ONU a incluir as cooperativas em seu calendário oficial

Um movimentos que congrega 1 bilhão de pessoas, gera 280 milhões de empregos e responde por 9% do mercado financeiro mundial acaba de receber um reconhecimento inédito da Organização das Nações Unidas (ONU). A partir de agora, a cada dez anos, os 193 países membros passarão um ano inteiro celebrando o cooperativismo — modelo de negócios onde o foco não é o lucro de poucos, mas o bem-estar de muitos. Essa comemoração é conhecida como  “Ano Internacional”, uma iniciativa das Nações Unidas para mobilizar a comunidade global em torno de um assunto considerado relevante para o desenvolvimento social e econômico da humanidade. Em 2025, por exemplo, foi comemorado o Ano Internacional das Cooperativas, que agora será realizado decenalmente. Este ano, é a vez de celebrar as mulheres na agricultura

A decisão da ONU de reconhecer as cooperativas de forma permanente foi firmada  pela Resolução 80/182, que apresenta o cooperativismo como uma solução concreta para os principais desafios do século XXI, como a precarização das relações trabalhistas, o avanço das mudanças climáticas, as crises globais de confiança, a insegurança alimentar, as constantes oscilações do mercado financeiro e a crise de empregos que se avizinha com o avanço das inteligências artificiais. 

“As cooperativas têm respostas para todos os esses problemas”, celebra o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas. “Nós geramos trabalho e renda digna para as pessoas, somos referência em sustentabilidade e conduzimos nossos negócios com ética e transparência. Além disso, as coops brasileiras respondem por  53% da produção de grãos e fibras do país, e são ilhas de solidez e estabilidade em momentos de crise financeira.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou que o cooperativismo contribui para um mundo melhor por meio do combate à pobreza, segurança alimentar e fortalecimento de empreendedores. 

“As cooperativas demonstram a importância de nos unirmos para encontrar soluções para os desafios globais. Em mais 100 países, elas impulsionam o desenvolvimento em pequenas e grandes comunidades e promovem os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, afirmou. 

Confira, a seguir, os motivos apontados pela ONU para celebrar as cooperativas em seu calendário oficial:

  1. Inclusão Social e Econômica

Cooperativas promovem a participação econômica e social de comunidades locais e grupos tradicionalmente marginalizados (mulheres, jovens, idosos, pessoas com deficiência e Povos Indígenas).

  1. Erradicação da Pobreza e Fome

Elas contribuem para os esforços globais de erradicação da pobreza e da fome, especialmente em áreas onde empresas com fins lucrativos não alcançam adequadamente.

  1. Apoio à Transição Climática Justa

Cooperativas têm papel importante na adaptação às mudanças climáticas, facilitando uma transição justa por meio de práticas sustentáveis.

  1. Contribuição para a Agenda 2030

Essas organizações são reconhecidas pela ONU como agentes importantes na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Este, aliás, foi o tema central do Ano Internacional das Cooperativas de 2025, apresentado em infográfico pelo Sistema OCB. 

  1. Promoção da Economia Social e Solidária

As coops operam com base em princípios como cooperação, ajuda mútua, participação democrática e primazia das pessoas sobre o capital

  1. Segurança Alimentar e Sustentabilidade

Cooperativas agrícolas promovem segurança alimentar, nutrição, práticas sustentáveis e acesso a tecnologia, crédito e mercados.

  1. Inclusão Financeira e Resiliência Comunitária

Com cerca de 3 milhões de cooperativas no mundo e 10% da força de trabalho global envolvida, o modelo cooperativo representa uma força econômica e social relevante.

Cooperar é transformar

O mais novo reconhecimento internacional dado ao cooperativismo reforça algo que muitas comunidades já sabem na prática: cooperar é transformar. Cooperativas criam empregos, distribuem renda, promovem educação e fomentam a inclusão financeira. Elas não esperam mudanças de cima — constroem soluções junto com quem mais precisa delas.

E mais: o cooperativismo tem se mostrado um caminho sólido para a construção de uma sociedade mais justa, participativa e resiliente. A ONU aponta esse modelo como exemplo para outras organizações, encorajando parcerias, troca de experiências e capacitações baseadas nas práticas cooperativas.

Além disso, as Nações Unidas recomendam que mais países incentivem a criação de novas cooperativas e fortaleçam as que já existem, entendendo que esse é um passo estratégico para um futuro mais humano, justo e sustentável.

O Brasil e a força da cooperação

No Brasil, os números do cooperativismo impressionam: são 25,8 milhões de cooperados atuando em mais de 4.380 cooperativas. Juntas, essas organizações geram mais de 578 mil empregos diretos e movimentam cerca de R$ 1,39 trilhão em ativos, de acordo com o AnuárioCoop 2025. Estão presentes em mais de 64% do território nacional, promovendo desenvolvimento local, geração de renda e inclusão social.

 

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