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Outubro celebra o poder das cooperativas de crédito

Hoje é dia de celebrar o poder transformador das cooperativas financeiras. Todos os anos, a terceira quinta-feira do mês de outubro é destinada para a comemoração do Dia Internacional das Cooperativas de Crédito (DICC). A data,  celebrada há 75 anos, foi instituída pelo Conselho Mundial de Cooperativas de Crédito (Woccu), que, para este ano, tem como tema Apoiando pessoas, impulsionando negócios e transformando comunidades.

“Empoderamento é poder transformar desejos em realidades. É visualizar que é possível alcançar objetivos e buscar viabilizá-los e prosperar coletivamente fazendo o bem para si e para o próximo. Muitas pessoas e comunidades foram e são transformadas constantemente pela presença de uma cooperativa financeira na região. Em lugares mais distante e improváveis, as coops de crédito oferecem serviços que verdadeiramente impulsionam sonhos”, defende o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas.

Com atendimento próximo e humanizado, as coops têm a habilidade de orientar as pessoas, cooperadas ou não, de acordo com seus propósitos mais específicos. Além disso, impactam profundamente na inclusão e na educação financeira, o que possibilita a melhora na qualidade de vida de milhões de brasileiros e permitem o acesso a produtos e serviços financeiros com preços mais justos. São, atualmente, 728 cooperativas espalhadas em todas as regiões com uma rede de mais de 9 mil unidades de atendimento, a maior em postos físicos do país.  Em 332 municípios, as cooperativas de crédito são, inclusive, a única instituição financeira presente.

A contribuição das cooperativas de crédito para o Sistema Financeiro Nacional (SNF) também é relevante e soma, em volume de depósitos totais, mais de R$ 352 bilhões, de acordo com dados do Banco Central, que indica ainda um volume de operação de crédito superior a R$ 361 bilhões (7,05% do SFN). “Elas representam a solução para que a prosperidade alcance todos os cantos do país", acrescenta Márcio Freitas.

Para as comemorações deste ano, o Sistema OCB lançou o e-book Porque escolher as cooperativas de crédito? e o podcast Os segredos do cooperativismo de crédito. O SomosCoop na estrada também visitou cooperativas de crédito e os detalhes podem ser conferidos nos episódios Sicredi Planalto Central, Sicoob Centro-Sul, Sistema Alios e Cresol.

Fachada da cooperativa fictícia da novela Terra e Paixão
Fachada da cooperativa fictícia da novela Terra e Paixão
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Novela Terra e Paixão destaca diferenciais do modelo de negócios coop

Os diferenciais e benefícios do modelo de negócios coop voltou a ser destaque na novela Terra & Paixão, da TV Globo. Em reunião com potenciais novos cooperados, a personagem Lucinda (Débora Falabella) descreve algumas das contribuições que as cooperativas agro trazem para seus associados. “Eu começo explicando que para o pequeno e médio produtor é muito vantajoso estar ligado a uma cooperativa. Isso porque como se diz, a união faz a força e, nesse caso, faz toda a diferença”, afirma.

Lucinda é gerente da CoopAtiva, localizada na cidade fictícia de Nova Primavera, e continua sua apresentação ressaltando outras características relevantes do movimento. “O cooperado vai ter produtos mais acessíveis e vai ter também como escoar sua produção com muito mais facilidade. Ele vai ter o acompanhamento de engenheiro agronômo e de outros profissionais que são indispensáveis para uma boa produção”, relata.

A personagem mostra então uma foto do engenheiro agronômo Hélio (Rafa Vitti) que presta asssessoria aos cooperados e explica detalhes sobre como se associar à cooperativa. “Basta prencher alguns formulários aqui conosco e apresentar as documentações necessárias”, completa.

O Brasil conta com mais de 1,1 mil cooperativas agro com mais de um milhão de cooperados. O ramo também é o que mais emprega, com cerca de 250 mil postos de trabalho diretos. Além disso, as cooperativas agro são responsáveis por mais 50% dos grãos produzidos no país.

Em outra cena, exibida no dia 18/09, o cooperativismo de crédito foi evidenciado pelo personagem Odilon (Jonathan Azevedo), dono da academia da cidade e cantor de sucesso que faz dupla com Kelvin (Diego Martins). Odilon procura a agência do Sicoob para saber se a instituição financeira tem algum diferencial para pequenos empreendedores como ele. A gerente da agência apresenta alguns dos produtos oferecidos pela cooperativa e como é fácil se associar. “Vou indicar o Sicoob para todos os meus alunos”, afirma Odilon.

A relevância do coop também ganhou espaço entre as crianças da novela. No dia 12/09, os personagens mirins Rosa (Maria Carolina Basílio), João (Matheus Assis) e Christian (Felipe Melquiades) apresentam aos pais trabalhos de fim de semestre em evento organizado pela escola. O de Rosa é sobre a agricultura familiar. Já o de João é Christina é sobre o cooperativismo.

“A cooperativa é uma organização social que ajuda pequenos produtores e quando eles têm lucro, eles dividem esse lucro. Já quando eles gastam, todo mundo divide as despesas”, contam os meninos. “A minha mãe é gerente da cooperativa”, acrescenta Christian. “E a minha é uma pequena produtora”, completa João.

Confira outras matérias em que o cooperativismo foi citado na novela: 

https://www.somos.coop.br/noticias/mulheres-na-agricultura-alines-da-vida-real-encontram-apoio-no-cooperativismo

https://www.somos.coop.br/noticias/terra-e-paixao-cooperativa-de-credito-tera-papel-importante-na-novela

 

 

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Combate ao aquecimento global: cooperativa mineira investe em caminhão de transporte de carga elétrico

Cada vez que um caminhão de carga roda 100 quilômetros por uma rodovia, 77 quilos de gases de efeito estufa são lançados na atmosfera com a queima de combustível. Agora imagine multiplicar esse número por 2,5 milhões – tamanho da frota de caminhões de carga do Brasil, segundo a Confederação Nacional dos Transportes (CNT) – e considerar as longas viagens que cada um faz pela imensa malha rodoviária do país. São muitas toneladas de gás carbônico lançadas na natureza, contribuindo diretamente para o aquecimento global.

Nesse cenário e diante do agravamento cada vez mais rápido das mudanças climáticas, cada caminhão movido a diesel ou gasolina substituído por um veículo elétrico — que não emite gases de efeito estufa na atmosfera — ajuda no combate ao aquecimento global. 

Ciente da situação, a Cooperativa de Transportadores Autônomos de Cargas e Passageiros da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Coopmetro) investiu, este ano, no primeiro caminhão elétrico de sua frota. Objetivo? Tornar o transporte rodoviário de carga mais sustentável. 

O veículo não depende de combustível, não polui o ar e não emite ruídos. Para reduzir ainda mais a pegada ambiental – medida que calcula o impacto de uma ação sobre os recursos naturais – o motor é abastecido por energia elétrica renovável, gerada em uma usina solar. 

O caminhão elétrico da Coopmetro tem autonomia de 150 km por carga de bateria. Para a recarga, são necessárias entre seis e oito horas. O projeto-piloto começou com um veículo elétrico alugado em parceria com um dos clientes da cooperativa, também interessado na prevenção e no controle do aquecimento global. 

“Temos avaliado os pontos fortes e fracos do projeto", explica o diretor da Coopmetro, Evaldo Moreira. "A avaliação está focada nos quesitos de custos, desempenho, impactos ambientais e atuação mercadológica. O custo do veículo é mais alto em comparação com os caminhões a combustão, devido às baterias caras. A manutenção também é um ponto de atenção, devido a alguns componentes importados.” 

COMPROMISSO SUSTENTÁVEL

Apesar de os veículos elétricos ainda custarem muito caro no Brasil, o investimento da Coopmetro se justifica pelo compromisso da organização com a sustentabilidade. 

"Queremos seguir uma agenda ESG, tornando nossa atuação mais sustentável em todos os aspectos", explica Evaldo. “É papel de cada um de nós investir tempo e recursos em projetos que apontam para a promoção do bem-estar das pessoas e do planeta, incluindo-se aí o combate ao aquecimento global.”

Até agora, segundo o diretor da Coopmetro, os resultados têm mostrado que investir em caminhões elétricos vale a pena. 

“Avaliando o aspecto econômico, os resultados diretos são economia de recursos, devido à eficiência energética e menos gastos operacionais. E também demonstramos nosso compromisso com a responsabilidade ambiental, atraindo clientes e investidores preocupados com esse tema do combate ao aquecimento global”, explica. 

A frota elétrica também protege a cooperativa dos riscos da volatilidade de preços do petróleo, fator que impacta diretamente a operação e os ganhos.

ABASTECIMENTO

Apesar da atuação pioneira da Coopmetro, a operação de caminhões de carga movidos a eletricidade esbarra em fatores externos, como o alto custo dos veículos e a infraestrutura de recarga de veículos elétricos no Brasil, que ainda é insuficiente. De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), há 3,8 mil eletropostos públicos ou semipúblicos em todo o país, mas a maior parte está concentrada nos grandes centros urbanos. 

Na fase-piloto, os caminhões elétricos da cooperativa mineira vão circular no raio da autonomia das baterias: 150 km. “Hoje o abastecimento é feito em bases do cliente, o que nos limita em autonomia de expansão geográfica. Estamos construindo usinas de energia solar para oferecer grande parte dessa produção energética para movimentar nossos motores”, antecipa o diretor da Coopmetro. 

Os planos da cooperativa para a frota elétrica também incluem a intercooperação com outras organizações cooperativistas para investir em novos veículos, parcerias com entes públicos e privados para melhorar a infraestrutura de abastecimento, e ampliar o conhecimento sobre a manutenção desse tipo de veículos. O objetivo é unir o coop mineiro em torno do combate ao aquecimento global.

PLANO ESTRATÉGICO SUSTENTÁVEL 

Além da frota de caminhões elétricos, a Coopmetro investe em outras ações sustentáveis como parte de seu planejamento estratégico. O impulso para essa atuação foi o Programa de Desenvolvimento da Gestão das Cooperativas, do Sistema OCB, ao qual a coop aderiu em 2013. 

“A partir do programa, criamos um comitê de ESG que, entre várias outras ações, apontou para a importância de conhecermos melhor o modelo de frota elétrica, no intuito de reduzir nossos custos, nossas emissões de poluentes, pegada de carbono e contribuir para atendimento das metas ambientais e do combate ao aquecimento global”, conclui Evaldo.  

SERVIÇO

Quer conhecer um pouco mais sobre a Coopmetro? Assista ao episódio do SomosCoop na Estrada.

Para saber mais sobre o projeto de combate ao aquecimento global da cooperativa, clique aqui. 

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Cooperativismo em evidência na edição das Maiores e Melhores 2023

Há mais de 50 anos, a Revista Exame observa as mudanças que formaram o cenário econômico do Brasil e do mundo. É um veículo que analisa o desenvolvimento profissional e empresarial do país em frentes como educação, investimento e eventos. Desde 1974, a revista também elabora o ranking Maiores e Melhores, publicação especial que aponta as empresas de maior relevância do Brasil nos mais diversos setores de atividade.  

Este ano, as cooperativas brasileiras ganharam destaque no ranking da revista, com foco especial no setor agropecuário. A matéria Unidos cresceremos mostra como o campo desempenha papel fundamental no fortalecimento das cooperativas do Brasil. 

Segundo reportagem, entre as dez maiores cooperativas listadas no Anuário do Cooperativismo 2023, nove pertencem ao Ramo Agro. A Coamo, do Paraná, lidera a lista seguida pela Comigo, de Goiás, e da Cocamar, também paranaense. Em entrevista, o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, disse que as cooperativas agropecuárias formam a base do cooperativismo. "Elas são a nossa âncora fundamental", afirma 

Outro destaque é a matéria que aborda a força do agronegócio nacional Bilhões de Grãos. A revista ressalta que a colheita brasileira cresceu 577% em 50 anos e que a produção agrícola é responsável por um quarto do PIB brasileiro, tendo se consolidado com a grande força da economia do país. De acordo com o ranking, mais da metade dessa produção vem das cooperativas. "O forte da produção agrícola está dentro do sistema cooperativo, sendo 71% dos agricultores ligados às cooperativas com perfil familiar", ressalta Márcio Freitas.  

A edição Maiores e Melhores de 2023 também inclui as cooperativas no ranking das organizações envolvidas com a pauta de ESG. A matéria Metas para cooperar com a sustentabilidade traz informações apresentadas por Elias José Zydek, presidente executivo da Frimesa, que congrega produtores rurais do Sudoeste do Paraná, de que a cooperativa pretende zerar as emissões de carbono direto até 2040. "Por sua natureza, o sistema cooperativo traz embutido muito do social e da governança. Agora, soma-se a esses pilares a preocupação com as questões climáticas e ambientais", disse.  

A edição completa da revista Maiores e Melhores 2023 pode ser acessada aqui.  

 
 
 
Um homem e uma mulher perto de fardos de material reciclado.

Cooperativas são protagonistas da reciclagem de resíduos no Brasil

Quando um resíduo reciclável é descartado, precisa percorrer um longo caminho até chegar a seu destino final. Quando tudo dá certo, ele é reaproveitado e pode se tornar matéria-prima para novos produtos, fechando o ciclo da economia circular. No entanto, quando o processo tem falhas, os recicláveis acabam sendo destruídos porque os catadores — também chamados de agentes de reciclagem — não conseguem separar corretamente o material. E o problema é que isso acontece com muita frequência. 

No Distrito Federal, por exemplo, 60% do resíduo reciclável recolhido pelo serviço público de limpeza urbana é descartado porque foi dispensado ou transportado incorretamente. “Mais de 600 toneladas por mês de resíduos entram em nosso complexo de reciclagem, mas não podem ser recuperados por terem sido descartados de forma incorreta, ou seja, junto a resíduo que não é reciclável", explica Aline Souza, presidente da Central das Cooperativas de Trabalho de Catadores de Materiais Recicláveis do Distrito Federal (Centcoop). 

Mesmo quando a separação é feita corretamente e os recicláveis são depositados nos locais destinados à coleta seletiva, às vezes os catadores enfrentam problemas de logística. Quando a retirada é feita por caminhões compactadores,  a reciclagem fica inviabilizada porque o material orgânico é misturado com o reciclável.

“Algumas pessoas separam e destinam corretamente na lixeira reciclável, mas outras não", lamenta Aline. "E esse compactador vai pegar tudo, prensar para otimizar espaço e levar tudo para a cooperativa. Quando chega na cooperativa já vai ter perdido praticamente todo esse material bom por conta dessa mistura”. 

Além dos resíduos recolhidos pela empresa pública, a central de cooperativas que Aline dirige também recebe caminhões de coleta seletiva feita porta a porta por cooperativas especializadas. Nesse caso, a taxa de reciclagem é muito maior: acima de 80%. 

“Temos cooperativas que já alcançaram 97% de qualidade dos resíduos coletados. São índices totalmente diferentes e com resultados diferentes, o que mostra, de fato, que quem tem capacidade de executar esse serviço de coleta seletiva são as cooperativas”, pondera Aline.

REFERÊNCIA NA AMÉRICA LATINA

Com 17 anos de atuação, a Centcoop tem 22 cooperativas associadas que agregam 1,1 mil catadores de materiais recicláveis, 72% mulheres. Referência entre as cooperativas do setor na América Latina, a central recicla cerca de 12 mil toneladas de resíduos por ano.

Assim como ela, milhares de cooperativas são protagonistas da gestão de resíduos sólidos em todo o Brasil. De acordo com os dados do Anuário Coop 2023, há 92 cooperativas de reciclagem registradas no Sistema OCB, que representam 14% das cooperativas do ramo Trabalho, Produção de Bens e Serviços

Junto com as associações de catadores, as cooperativas atuam em mais de 1,1 mil municípios brasileiros e foram responsáveis por 35% do volume de resíduos recicláveis coletados nessas localidades em 2021, de acordo com os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). 

“Se não fosse o trabalho de reciclagem feito há décadas pelos catadores, já estaríamos em um caos ambiental, com o país abarrotado de lixões e aterros. Quanto mais se recicla e se dá vida útil aos resíduos, mais protegidos e preservados estarão os recursos naturais. A reciclagem está diretamente ligada à preservação da natureza e às mudanças climáticas. Se a gente recicla mais, contamina menos, evita a emissão de CO² [dióxido de carbono, gás que agrava o efeito estufa] na atmosfera”, explica Aline Souza. 

CICLO VIRTUOSO

Além dos enormes benefícios ambientais, as cooperativas de recicláveis têm outro papel fundamental: melhorar a vida das pessoas. Quando os catadores se organizam em cooperativas têm acesso a condições de trabalho dignas, renda mais justa e são incluídos em uma cadeia produtiva formal que garante oportunidades e ganho de escala

“As cooperativas de reciclagem promovem um ciclo virtuoso de desenvolvimento que transforma a atuação de catadores e catadoras, transborda para os negócios e impacta toda comunidade onde estão presentes. Elas contribuem para dignificar o trabalho dos catadores, favorecem a inclusão social e econômica de trabalhadores que, em sua maioria, não são qualificados e estão em situação de vulnerabilidade”, afirma a superintendente do Sistema OCB, Tania Zanella. 

No caso da Centcoop, em conjunto com o governo do Distrito Federal, a central de cooperativas gerencia o Complexo Integrado de Reciclagem (CIR), uma estrutura de 80 mil metros quadrados para recepção, triagem, classificação, prensagem, armazenamento e comercialização de materiais recicláveis que beneficia 11 cooperativas e 360 catadores. 

Pela relevância para o setor e importância na inclusão social e produtiva dos catadores, as cooperativas estão no centro da Política Nacional de Resíduos Sólidos. A lei prevê que as coops façam parte dos Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos e que atuem em parceria com a indústria para iniciativas de logística reversa. Além disso, regulamenta o financiamento para implantação de infraestrutura física e aquisição de equipamentos para cooperativas ou outras formas de associação de catadores. 

EDUCAÇÃO AMBIENTAL

O trabalho das cooperativas de reciclagem pode ser ainda mais efetivo se for combinado com melhorias nos sistemas de coleta de resíduos e, principalmente, educação ambiental. 

“O correto é a gente pensar em um sistema de coleta que converse com o comportamento social das pessoas quando se trata de descarte de resíduos. Tem que haver a coleta do resíduo reciclável, do orgânico e do rejeito, que é o que vai para aterro sanitário. E é preciso ter instituições distintas para fazer essa logística”, sugere Aline Souza.

Para os cidadãos, a mudança pode começar em casa, com a separação correta dos três tipos de resíduos e o descarte nos locais adequados e dias indicados para coleta seletiva. “Aumentar o índice de reciclagem no país depende de avançar na comunicação com a sociedade sobre o descarte correto dos resíduos, há praticamente zero iniciativas nesse sentido por parte dos governantes e das empresas”, avalia a líder cooperativista. 

Da montanha de resíduos à faixa presidencial 

Aline Souza, presidente da Central das Cooperativas de Trabalho de Catadores de Materiais Recicláveis do Distrito Federal (Centcoop), foi uma das oito pessoas escolhidas para representar o povo brasileiro na entrega da faixa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante sua cerimônia de posse, em 1° de janeiro de 2023. 

De mão em mão, a faixa presidencial passou por um líder indígena, uma cozinheira, um jovem com deficiência, um artesão, um metalúrgico, um professor e um estudante até chegar à Aline, que a colocou no presidente. A imagem deixou a representante dos catadores de recicláveis conhecida em todo o país, mas muito antes da posse, Aline já representava milhares de brasileiros na busca por condições de trabalho mais dignas e renda mais justa por meio de sua atuação no cooperativismo. 

Vinda de uma família de catadores, ela lembra dos primeiros dias no trabalho de reciclagem, quando ainda era menor de idade. Sem infraestrutura adequada, os catadores do grupo do qual participava trabalhavam rodeados pelos resíduos. 

“Tenho essa imagem de estar trabalhando junto com eles em um morro de material reciclado. E que era quente, muito quente, lembro muito disso. A gente passava mal muitas vezes com o sol na cabeça”, recorda. 

Quando a cooperativa Recicla foi criada, em 2006, os catadores passaram a ter melhores condições de trabalho e organização. Nessa época, Aline teve um papel fundamental ao participar de um projeto que ensinou catadores a escrever os próprios nomes para que pudessem assinar o estatuto social da cooperativa. 

Quando completou 18 anos, Aline ingressou formalmente na cooperativa. Não demorou muito para o grupo perceber que o trabalho dela seria mais valioso na parte administrativa e de representação. Desde então, ela atuou na regularização de documentos da cooperativa, na articulação com governos para garantir direitos aos trabalhadores e na negociação com empresas para buscar parcerias.

“Também organizava eventos para os catadores e suas famílias. Quando aparecia qualquer oportunidade de cinema, circo ou parque com vouchers doados, buscava para os filhos de catadores. Eram ações que conseguiam incluir os catadores e catadoras e também os filhos”, lembra. 

O trabalho para melhorar as condições dos catadores da Recicla e de outras cooperativas levou Aline a ser convidada para fazer parte da direção da Centcoop. Atualmente, está em seu terceiro mandato como diretora-presidente da central de cooperativas.

 
 
 
 
 
 
 
 

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