2024 é ano de eleições municipais no Brasil. A data sempre deixa a política mais presente no dia a dia e coloca o assunto em pauta na casa de milhões de brasileiros. Mas o que isso tem a ver com o cooperativismo? Tudo!
O cooperativismo é um jeito de fazer negócios que coloca as pessoas em primeiro lugar, unindo desenvolvimento econômico e social, com foco nos cooperados e nas comunidades. Esse modelo justo, democrático e sustentável é uma ótima influência para quem faz política e tem muitos bons exemplos para inspirar quem decide o futuro das cidades, dos estados e do país.
Veja 5 lições do cooperativismo para a política:
1) A união faz a força
Sozinho, um político, por mais habilidoso que seja, não faz nada. Ele precisa saber atuar de forma cooperativa com o máximo de pessoas possível, sem abrir mão de valores, para conseguir aprovar suas pautas e pleitos.
No cooperativismo é exatamente assim: a união de pessoas com interesse em comum gera resultados muito melhores do que se estivessem atuando sozinhas. A regra vale para profissionais que se juntam para oferecer seus serviços de forma coletiva, grupos que se unem para comercializar seus produtos com escala e melhores preços, outros que se agrupam em busca de soluções de crédito ou infraestrutura mais justas e acessíveis, entre muitos exemplos.
Em uma cooperativa, todos trabalham coletivamente para conquistar renda e prosperidade. Além disso, a gestão é democrática e transparente, as decisões dependem da aprovação de todos, e os resultados financeiros são compartilhados, com reinvestimento no negócio ou distribuição entre os cooperados.
2) Compromisso com a comunidade
O bom político precisa ter interesse pela comunidade onde atua, defendendo o desenvolvimento da região que o elegeu.
No cooperativismo, o interesse pela comunidade é um dos nossos princípios. Não basta gerar renda, trabalho e prosperidade apenas para as pessoas diretamente ligadas às cooperativas, é preciso impactar positivamente o entorno, com iniciativas sociais, de educação, inclusão, e muitas outras.
Onde tem uma cooperativa, a vida das pessoas melhora. Nas cidades onde as cooperativas estão presentes, é possível observar um incremento na arrecadação de impostos, na geração de empregos, na educação e na promoção social. Um estudo feito pelo Sistema OCB e a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) comprovou que a presença de uma cooperativa em um município melhora a renda, o nível de emprego e a movimentação da economia.
3) Atuação ética
O apreço pela honestidade, pela transparência e o respeito ao patrimônio público são valores que todo mundo espera de um bom político.
No cooperativismo, a integridade, ética e transparência são compromissos inegociáveis, que direcionam o funcionamento e a gestão das coops. Essa atuação responsável abrange o cumprimento de leis e normas, a conformidade social e ambiental, além de boas práticas trabalhistas, valorização dos colaboradores e atuação em prol das comunidades.
Para garantir que esses compromissos estejam no dia a dia dos negócios, as coops são gerenciadas segundo os princípios da governança cooperativa, baseado na autogestão, transparência, sustentabilidade e no senso de justiça. As diretrizes éticas visam garantir o cumprimento das metas sociais, a administração sustentável e o atendimento do interesse dos cooperados.
4) Responsabilidade com o meio ambiente
A preocupação com as causas ambientais e a defesa de um modo de produção mais sustentável é uma pauta consolidada na política. Em todo o mundo, as lideranças empenhadas em apoiar a economia verde e combater as mudanças climáticas têm ganhado cada vez mais destaque.
Para o cooperativismo, esse assunto sempre foi uma prioridade. Além de promover o desenvolvimento econômico e social das pessoas e comunidades, o cooperativismo está comprometido com o planeta. As coops são protagonistas da agenda ESG – sigla em inglês para Environmental, Social and Governance, que se refere a ações Ambientais, Sociais e de Governança.
Em todos os setores em que atuam, as cooperativas desenvolvem ações de cuidado com o meio ambiente, seja com a produção e uso de energias limpas e renováveis, a reciclagem de resíduos, a agricultura de baixo carbono, entre outras iniciativas.
Até a Organização das Nações Unidas (ONU) já destacou o papel das coops para o meio ambiente: “por ter sua identidade baseada na ética e em valores, as cooperativas entendem que seus negócios não podem perdurar sem boas práticas ambientais, trabalho decente para cooperados e empregados; e tomada de decisão ampla e inclusiva.”
5) Respeito e valorização da democracia
Um bom político respeita as diferenças e valoriza a diversidade, independente de suas preferências ideológicas.
No coop o respeito à democracia está presente entre os nossos princípios. O primeiro deles determina que as cooperativas são organizações de adesão livre e voluntária, ou seja, abertas a todas as pessoas aptas a utilizar os seus serviços e assumir as responsabilidades como membros, sem discriminação de gênero, social, racial, política e religiosa.
O compromisso das coops com a diversidade também está na gestão democrática, na valorização das visões e opiniões para criar ambientes colaborativos, na comunicação aberta e respeitosa e nas ações de inclusão e equidade promovidas entre colabores, cooperados e nas comunidades em que atuam.
As cooperativas brasileiras na políticaPara dar voz e visibilidade às cooperativas brasileiras nos espaços de decisão e de formulação das políticas públicas do país, o Sistema OCB tem uma equipe especializada em representação institucional. São cientistas políticos e especialistas técnicos que atuam estrategicamente para defender os interesses das cooperativas brasileiras, apresentar informações sobre o poder transformador do coop e impedir medidas que possam afetar negativamente nosso modelo de negócio.Uma das frentes da representação institucional é a atuação junto aos Três Poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário. O trabalho envolve a articulação política com deputados e senadores no Congresso Nacional, agendas com autoridades do governo e o acompanhamento de processos relacionados ao coop nos tribunais superiores.No Congresso, a defesa dos interesses das cooperativas é feita em conjunto com a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), uma bancada suprapartidária formada por deputados e senadores que abraçaram a causa cooperativista.Criada em 1986, na atual legislatura a Frente tem 325 parlamentares: 285 deputados e 40 senadores, mais da metade da bancada das duas Casas. O grupo atua de forma articulada e transparente com a equipe do Sistema OCB para garantir que o cooperativismo esteja na agenda do Parlamento na discussão de leis que impactam o setor, tanto nas comissões temáticas quanto nas votações em plenário.Em 2023, o trabalho de representação institucional garantiu uma conquista política muito importante para as cooperativas brasileiras: a inclusão e aprovação de dispositivos que consideram a necessidade do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo e permitem a criação de um regime específico de tributação para as cooperativas no texto da Reforma Tributária.Quer acompanhar o trabalho do Sistema OCB junto aos Três Poderes? Acesse a Agenda Institucional do Cooperativismo e fique por dentro de todos os assuntos da política nacional relacionados ao coop. |
Cooperativas buscam excelência em processos para alcançar seus propósitos
O cooperativismo sempre se preocupou com a responsabilidade socioambiental. Por isso, o ESG está na pauta do movimento em seus três pilares de atuação: ambiental, social e governança. Em todo o Brasil, as cooperativas buscam aumentar a qualidade e a competitividade de suas atividades por meio do desenvolvimento e adoção de boas práticas e melhoria de seus processos de gestão.
Ao adotar iniciativas ESG, as cooperativas elevam sua competitividade e avançam na preservação dos valores e princípios adotados pelo modelo de negócios que tem como um de seus principais diferenciais o propósito de cuidar das pessoas. Isso possibilita uma maior aproximação também com os consumidores e o fortalecimento do movimento como um todo.
As ações adotadas pelas cooperativas reduzem o impacto ambiental das atividades com a aplicação de medidas sustentáveis, como o respeito às normas para uso dos recursos naturais, a busca pela neutralidade de carbono e a adoção de fontes de energia renovável.
Para o social, a estratégia visa proporcionar bem-estar aos cooperados e suas comunidades, fortalecer laços, apoiar a educação e promover a igualdade. Tudo em prol de um mundo mais inclusivo, com orientação de gestão organizacional, respeito aos direitos humanos e desenvolvimento social.
Já para a gestão, transparência e integridade são as palavras de comando. O trabalho é feito para garantir ética, eficiência e excelência, com programas de mentoria para conformidade dos processos, avaliação dos estágios alcançados, nivelamento de conhecimento e elaboração de manuais de Compliance.
O reconhecimento dessas ações que visam aprimorar os processos de gestão também é um passo importante adotado pelo cooperativismo. Por isso, a cada dois anos é realizado o Prêmio SomosCoop Excelência em Gestão. Ele reconhece as cooperativas que promovem o aumento da qualidade e da competitividade do modelo de negócio com troféus bronze, prata e ouro, além de selos em quatro diferentes níveis de maturidade: Primeiros Passos para a Excelência, Compromisso com a Excelência, Rumo à Excelência e Excelência.
Neste ano, 56 cooperativas foram premiadas. O troféu ouro foi entregue para 17 cooperativas, enquanto o de prata ficou com outras 17 e o de bronze com 22. Em Excelência, duas coops receberam o troféu ouro: a Cocamar, do Paraná, e o Sicoob Credicom, de Minas Gerais.
João Augusto Oliveira Fernandes, presidente da cooperativa mineira, comemorou a vitória e enfatizou a importância da conquista. "Através da capacitação, conseguimos elevar nosso padrão e, consequentemente, oferecer condições melhores aos nossos cooperados".
Já o presidente da Cocamar, Luiz Lourenço, destacou que o caminho até a conquista do prêmio foi construído aos poucos. Para ele, não é um processo rápido, mas que se torna duradouro e permanente. "Planejamos e nos comprometemos em realizar uma gestão de auto nível, em busca da excelência. O crescimento da nossa cooperativa é fruto de profissionalização da gestão e aprimoramento constante da nossa governança".
Na categoria Primeiros Passos, a Sicredi Evolução, da Paraíba foi uma das cooperativas que recebeu o troféu prata. João Bezerra Júnior, presidente da cooperativa, considera o reconhecimento uma demonstração do potencial do movimento no Nordeste. "Com o apoio necessário, conseguimos ter acesso ao modelo de governança e gestão na educação. A partir desse suporte, conseguimos fazer uma prestação de serviço relevante", afirmou.
Com o troféu prata no nível de maturidade Excelência, Sérgio Cadore, presidente do Conselho de Administração da Viacredi, de Santa Catarina, destacou os frutos do reconhecimento. "Nossa equipe sabe quais objetivos queremos alcançar. Temos convicção de que os frutos serão revertidos em bem-estar e prosperidade para os nossos cooperados. Por isso, nosso segredo é manter os colaboradores felizes, aumentar nossos resultados e contribuir para o desenvolvimento da comunidade”.
O cooperativismo é feito por pessoas e o interesse pela comunidade está entre os princípios do nosso modelo de negócio. Essa preocupação faz com que as cooperativas trabalhem desde sempre com responsabilidade social, conceito ligado a uma das letras da sigla ESG — do inglês Environmental, Social and Governance, que se traduzem como meio ambiente, social e governança.
Apesar de o conceito ter sido criado há menos de 20 anos, o compromisso com as pessoas e as comu-nidades faz com que o cooperativismo tenha muita aderência à agenda ESG, principalmente em relação ao pilar “S”, de social — ligado ao cuidado com as pessoas, incluindo tanto a valorização dos cooperados e dos colaboradores quanto o desenvolvimento da comunidade na qual a cooperativa está situada.
Na prática, o S de ESG estimula as cooperativas, empresas e organizações a zelarem pelas seguintes atividades dentro do seu dia a dia:
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Boas práticas de transparência e integridade
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Avaliação de riscos e oportunidades relativos a saúde e segurança no trabalho
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Inclusão, diversidade e equidade
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Boas práticas trabalhistas
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Respeito aos direitos humanos
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Incentivo à educação e formação
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Relacionamento com a comunidade, com fornecedores e demais partes interessadas
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Conformidade social das atividades que uma cooperativa realiza.
Viu como essa lista tem tudo a ver com o jeito diferente de fazer negócios do cooperativismo? Um levantamento inédito realizado pelo Sistema OCB comprovou que as cooperativas brasileiras estão afinadas com a pauta ESG e se destacam em quesitos como cumprimento de leis e normas, conformidade social e ambiental, além de boas práticas trabalhistas.
De acordo com o diagnóstico ESG AvaliaCoop, na análise específica da dimensão das cooperativas brasileiras têm 81,71% de aderência aos indicadores de conformidade social; 62,22% em quesitos de boas práticas trabalhistas, e 61,07% em relação a apoio ao desenvolvimento das comunidades.
No dia a dia, o caráter humanizado do cooperativismo é traduzido na prática em ações de impacto na vida dos cooperados, colaboradores e das comunidades, em investimentos com retorno social. Os exemplos estão espalhados por todo o país e em cooperativas de todos os ramos, da área de saúde ao cooperativismo de crédito.
Diversidade no campo
Com unidades no Paraná e Tocantins, a Frísia Cooperativa Agroindustrial, uma das maiores e mais antigas cooperativas agropecuárias do país, mostra que no cooperativismo o ganho vai muito além dos resultados financeiros. Com quase 100 anos de atuação, a cooperativa incluiu entre as diretrizes de seu planejamento estratégico o cuidado com as pessoas e a aposta no investimento social para a transformação positiva da sociedade.
De acordo com o coordenador de Eventos e Cooperativismo da organização, Luciano Tonon, o cooperativismo tem um papel fundamental na redução das desigualdades sociais no campo e as cooperativas são protagonistas dessa tarefa por sua atuação sistêmica junto aos cooperados e suas comunidades.
As cooperativas já nascem de uma necessidade social, de objetivos comuns e compartilhados”, explica o gestor. “Por estar em sua essência, o desenvolvimento econômico sempre vai estar voltado às necessidades de todos àqueles que fazem parte do negócio, o que acontece, principalmente, se as suas comunidades estão fortalecidas”.
Para Toulon, o fato de a Frísia estar há quase cem anos no mercado deve-se ao fato de ela ter entendido a importância do social desde o início de suas atividades, trabalhando com transparência, processos democráticos e integridade. “Boa parte dos nossos resultados são redistribuídos para os cooperados, trazendo viabilidade e competitividade para o campo. Em tudo o que fazemos, trabalhamos aspectos diretos e indiretos para o bem-estar das comunidades”, explica.
O investimento social da Frísia é feito por meio de programas contínuos e de forma transversal, apoiando causas sociais ou mitigando impactos das atividades da cooperativa.
A coop tem iniciativas relacionadas à diversidade, sucessão, etarismo, educação, formação e inclusão. Por meio da Fundação Frísia, os cooperados e a comunidade têm acesso a serviços médicos, ginásio de esportes e clube social para entretenimento e bem-estar. Além disso, a cooperativa promove ações socioculturais para a população em suas áreas de atuação e desenvolve programas de formação, capacitação e entrada no mercado de trabalho.
NUMERÁRIA Conformidade das cooperativas brasileiras ao pilar Social do ESG 81,7% de aderência a indicadores de conformidade social 62,2% a quesitos de boas práticas trabalhistas 61,9% em relação ao apoio ao desenvolvimento das comunidades |
Mulheres impulsionam negócios
Entre as iniciativas sociais da Frísia, também se destacam as ações de inclusão produtiva de mulheres, com incentivo ao empreendedorismo feminino e à formação de lideranças. Segundo Tonon, a cooperativa acredita no fortalecimento da participação feminina como uma forma de impulsionar os negócios.
“As mulheres têm buscado seu aperfeiçoamento em gestão, e isso tem resultado no crescimento das propriedades agropecuárias, verticalização dos negócios e inovação. Além disso, desempenham um papel importante na contribuição de novas estratégias e integram diversos comitês na cooperativa, sempre apoiadas pelo Conselho de Administração”, afirma o coordenador.
Como forma de reconhecer essa relevância e estimular o aumento da presença feminina em todas as instâncias da cooperativa, a Frísia criou o Prêmio Mulheres que Inspiram. “A premiação valoriza o protagonismo da mulher no campo, reconhece sua contribuição para o agronegócio e tem o objetivo de fortalecer o cooperativismo e incentivar o trabalho da mulher no meio rural com sustentabilidade”, explica Luciano Tonon.
Na primeira edição, o Prêmio Mulheres que Inspiram reconheceu três produtoras cooperadas da Frísia: Ju-liana dos Santos Ventura, do Paraná, da área de Pecuária Leite; Deborah Gerda de Geus também do Paraná, na Pecuária Suínos; e Dorotea Hildenbrandt Weigand, de Tocantins, na área agrícola.
“Com ações como essas, a Frísia compartilha as boas práticas, sendo um aprendizado, incentivo e motivação às demais mulheres”, pondera o coordenador.
Agentes de transformação
Apoiar as mulheres no campo também é um dos objetivos de uma iniciativa de investimento com retorno social da Cooperativa Agrícola Água Santa (Coasa), uma cooperativa do Ramo Agropecuário que atua no interior do Rio Grande do Sul.
Há três anos, o Programa Consumo Sustentável da Coasa desenvolve atividades de formação com mulheres agricultoras para que elas possam implementar práticas sustentáveis em suas propriedades rurais. O programa já atendeu diretamente mais de 100 famílias, com ações de incentivo à produção diversificada de alimentos, plantas bioativas, aproveitamento integral de alimentos e manejo ecológico das lavouras.
Os resultados são tão positivos que o Programa Consumo Sustentável foi um dos projetos contemplados pelo Fundo Social do Sistema Ocergs. A entidade representativa das cooperativas gaúchas selecionou dez projetos de cooperativas com impactos nas áreas de educação, saúde, cultura, integração social, geração de renda e meio ambiente. Juntas, as iniciativas receberam, em 2023, investimento de R$1,7 milhão e devem beneficiar mais de 30 mil pessoas em todo o Rio Grande do Sul, entre cooperados e comunidades.
É importante destacar que o investimento social ligado à agenda ESG não é o mesmo que filantropia. Muitas cooperativas brasileiras estão diretamente envolvidas em ações que beneficiam pessoas em situação de vulnerabilidade, com doação de alimentos, prestação de serviços, atividades de inclusão social, entre outras. Todas essas iniciativas são positivas, bem-vindas e também demonstram o comprometimento do cooperativismo com as pessoas e as comunidades, mas são consideradas ações filantrópicas e não estratégias da dimensão S do ESG. Na filantropia, o objetivo é promover ações pontuais em benefício de segmentos so-ciais vulneráveis ou expostos à exclusão e à discriminação. Já o investimento com retorno social está ligado a iniciativas de impacto, que, além de transformar a realidade das pessoas envolvidas, geram oportunidades de negócio e se tornam um diferencial competitivo para quem as realiza. Quer um exemplo prático? Um grupo de pequenos agricultores cooperados teve a safra prejudicada pelas chuvas e perdeu parte da produção, reduzindo sua fonte de renda. Doar alimentos e outros itens para as famílias, enquanto enfrentam dificuldades financeiras, é uma ação de filantropia necessária e oportuna. Em outra frente, oferecer capacitação para que os produtores aprendam a lidar com eventos climáticos extremos e fornecer insumos que possam melhorar o trabalho nas lavouras é uma estratégia de negócio, um investimento com retorno social. Assim como as outras letras da sigla, a dimensão S do ESG busca contribuir para a sustentabilidade do negócio e das pessoas. |
O SomosCoop apresenta uma nova iniciativa que conta histórias de pessoas reais que tiveram suas vidas transformadas pelo cooperativismo, o podcast PodCooperar. O objetivo do projeto é divulgar os princípios e benefícios do modelo de negócios para toda a população, com casos de prosperidade e uma visão sobre o impacto positivo que ele proporciona também para famílias, comunidades e sociedade como um todo.
Dividido em oito episódios, cada um dedicado a um dos ramos do cooperativismo, o PodCooperar também destaca a relevância desses segmentos na construção de realidades mais fortes e resilientes. Assim, os relatos abordam histórias ligadas à agropecuária, consumo, crédito, infraestrutura, saúde, trabalho, produção de bens e serviços, e transporte.
Os episódios mergulham na experiência de pessoas que encontraram uma oportunidade de negócios e uma verdadeira rede de apoio mútuo nas cooperativas. As histórias mostram como o cooperativismo ultrapassa o aspecto econômico e toca vidas, construindo relações sólidas e oportunidades que geram emprego, renda e dignidade de forma inclusiva e sustentável.
O capítulo de abertura conta a história de Maria Eneide Pereira Costa, mulher que enfrentou condições de vida desafiadoras no maior depósito de lixo da América Latina, localizado no Distrito Federal, e que, quando se tornou cooperada, transformou sua realidade. Ela encontrou no cooperativismo uma fonte de esperança e fortalecimento familiar.
A vida de Maria Luiza Prestes é o tema do segundo episódio. Ela é ex-empregada doméstica, se tornou sócia de uma cooperativa no Rio Grande do Sul e pôde concretizar seus sonhos após a chegada da energia elétrica em sua casa, fornecida também por uma coop da região.
Garibaldi Murtosa Júnior, por sua vez, é protagonista do terceiro episódio, que conta a história de um menino mineiro que realizou o sonho de ser médico e teve no cooperativismo o apoio que precisava para construir a sua carreira. Para ele, o movimento é mais que um negócio, é uma filosofia de vida.
Motorista de caminhão, Flávia Reis conta, no quarto episódio, como se tornou cooperada aos 40 anos, quando buscava, junto com seu marido, uma nova forma de trabalho e renda. O casal conheceu o cooperativismo por meio de um familiar e, com apenas um caminhão, começaram uma nova história. Hoje, cada um tem seu veículo e o negócio prospera de forma inspiradora.
Na sequência, o Podcooperar relata como a cooperativa de crédito Ailos contribuiu para alavancar os negócios da família de Paulo Berkenbrock, proprietário de uma loja de roupas e acessórios para surfe e skate em Blumenau (SC).
Antônio Albardeiro é cooperado desde 1968 e compartilha uma trajetória cooperativista de 44 anos ao lado de sua esposa, Dona Conceição. A residência construída por eles é mobiliada com peças produzidas na cooperativa. Para o casal, os associados são mais do que colegas, são uma extensão da família. Semanalmente, eles fazem compras na cooperativa próxima de casa. A filha do casal, Samara, segue os passos dos pais e, atualmente, é uma cooperada também. Os detalhes dessa história podem ser acompanhados no sexto episódio da série.
O engenheiro ambiental Anderson Moreira foi criado na floresta e começa seu dia às cinco horas da manhã, quando vai para a lavoura. Durante a tarde, se dedica à poda de plantas, adubação do solo e colheita. A Cooperativa Camta, em Tomé Açú, no Pará, adquire todos os produtos cultivados em suas terras. Para Anderson, a coop é a base do seu sustento, desde a comercialização de seus produtos até a oferta de assistência técnica necessária. O cooperativismo entrou na sua vida por meio de seu pai, que deixou o Maranhão em busca de oportunidades e iniciou um plantio agroflorestal para subsistência. Atualmente, Anderson concentra seus esforços na preservação da floresta e investe em energia limpa.
Leilane Sales é a personagem do último episódio. Ela descobriu no presídio que a Cooperativa Social de Trabalho Arte Feminina Empreendedora (Coostafe) poderia mudar sua vida. Com capacitação profissional e fonte de renda, ela conseguiu desenvolver habilidades em bordado e viu potencial para ser artesã. Durante sua caminhada, Leilane se tornou presidente da Coostafe.
Os episódios apresentam desfechos que proporcionam uma visão única sobre a importância das cooperativas em vários ambientes e situações. Os Ouvintes podem aguardar momentos surpreendentes que os farão se conectar com trajetórias que retratam a diversidade e o potencial do movimento cooperativista.
O primeiro episódio já está no ar e o segundo estará disponível nesta quarta-feira (29). Os demais serão lançados a cada duas semanas no Spotify do canal SomosCoop e no site SomosCoop.
Sintonize no SomosCoop e faça parte desse movimento.
Os 195 países-membros da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) se preparam para mais uma rodada de negociações sobre iniciativas que possam frear o ritmo do aquecimento global. A 28ª Conferência das Partes (COP 28) ocorrerá em Dubai, de 30 de novembro a 12 de dezembro, e atrairá os olhos do mundo em um ano especialmente quente, que registrou temperaturas recorde em vários continentes.
Além de chefes de Estado, diplomatas e outros representantes de governos, a COP 28 reúne representantes da sociedade civil — incluindo o cooperativismo brasileiro, que mais uma vez estará presente nos debates sobre o futuro climático. Afinal, as cooperativas são reconhecidas pela própria Organização das Nações Unidas (ONU) por seu protagonismo em boas práticas ambientais e a agenda climática faz parte desse compromisso com a construção de um mundo mais sustentável.
“Quando falamos em COP do Clima, temos a premissa de que todos devem participar, ou seja, toda a comunidade. E o cooperativismo é a chave para que as pessoas participem desse processo de descarbonização da economia mundial. O combate à mudança climática depende do envolvimento de toda a população mundial e o cooperativismo permite que as pessoas participem nesse processo”, afirma o coordenador de Meio Ambiente e Energia do Sistema OCB, Marco Morato.
Com esse foco, o Sistema OCB levará à COP 28 iniciativas de cooperativas brasileiras que estão contribuindo para a redução de emissões de gases de efeito estufa, principalmente o dióxido de carbono (CO2). O cooperativismo terá destaque no Espaço Brasil, um pavilhão organizado pelo governo para mostrar iniciativas nacionais, públicas e privadas, de combate à mudança do clima.
Em um painel exclusivamente cooperativista, com o tema “Cooperativas Aliadas do Desenvolvimento Sustentável e da Segurança Alimentar”, o Sistema OCB apresentará casos de cooperativas que estão ajudando a promover a sustentabilidade em diversas frentes.
“Além das cooperativas, teremos duas convidadas internacionais em nosso painel. Compartilharão experiências regionais a Diretora-Geral da ACI [Aliança Cooperativa Internacional] na África, Chiyoge B. Sifa, e também a presidente da ACI Europa, Susanne Westhausen. Elas farão apresentações sobre a contribuição do cooperativismo para o desenvolvimento sustentável na África e na Europa, mostrando a eficácia na diversidade do nosso modelo de negócios”, antecipa o coordenador de Relações Internacionais do Sistema OCB, João Martins.
Protagonismo
A atuação das cooperativas para um futuro mais sustentável e com menos emissões de CO2 também será apresentada em outras atividades da COP, tanto na parte governamental quanto em eventos liderados pela sociedade civil e em rodadas de negócios sustentáveis que ocorrem paralelas à conferência.
Em outubro, uma delegação de representantes do governo que participará da COP 28 percorreu seis cooperativas do Paraná e do Pará para conhecer iniciativas que são referência na produção sustentável cooperativista.
Segundo Martins, essa será a maior participação das cooperativas brasileiras em uma Conferência do Clima. “Na COP 26, tivemos uma participação ao lado do Ministério do Meio Ambiente, e falamos de um case do cooperativismo. Na COP 27, tivemos a possibilidade de apresentar algumas cooperativas, mas em uma participação remota, e agora na COP 28 vamos ter essa participação mais robusta do cooperativismo”, compara.